Covid-19: Monopolização de vacinas nas nações ricas vai causar milhares de mortes em todo o mundo, alerta especialista

Centenas de milhares de pessoas em todo o mundo morrerão desnecessariamente devido à Covid-19 este outono, enquanto as nações ricas priorizarem injeções de reforço para a sua própria população “altamente protegida”, em vez de partilharem as doses com os mais pobres.

O alerta foi dado pelo diretor do grupo de vacinas de Oxford, Andrew Pollard, em declarações ao ‘The Guardian’. Embora seja “possível” que uma terceira dose ajude a proteger algumas pessoas, o “benefício potencial” é “pequeno” porque a grande maioria daqueles que recebem o reforço já estão “altamente protegidos” contra a Covid-19, sublinhou.

Pollard disse que o “fracasso” das nações mais ricas em partilhar vacinas este verão com as mais pobres – em conjunto com as suas decisões de embarcar em programas de reforço de larga escala – significam que um grande número de mortes que antes eram evitáveis ​​são agora inevitáveis.

O fornecimento de vacinas aos países mais pobres está a melhorar e provavelmente “vai compor-se”, afirmou. “Mas para muitas centenas de milhares de pessoas isso não será em breve”, acrescentou.

O responsável considera “realmente incrível” que no próximo mês seja atingido o marco de 50% da população mundial com pelo menos uma dose da Covid-19.

Contudo, alerta que o “progresso notável” que o mundo fez contra o coronavírus foi “temperado por uma situação moral e ética desconfortável”. “Simplificando,” acrescentou, “as doses ainda não são partilhadas de forma justa”.

“Este número global de vacinação de 50% esconde uma grande desigualdade. Mais de 95% das pessoas em países de baixos rendimentos ainda não receberam nem sequer a primeira dose, enquanto mais de 60% foram vacinadas em países ricos. Estamos protegidos, mas eles não”, reiterou citado pelo ‘The Guardian’.

Pollard disse ainda que o caso dos reforços ainda não foi aceite totalmente por todos os cientistas. “A maioria das pessoas com injeção dupla está tão protegida contra doenças graves que uma dose de reforço não vai aumentar muito a proteção”, sublinhou.

“Mas há um caso muito mais forte, e não há dúvida entre os cientistas, de que as primeiras doses salvam vidas para os não vacinados. Pessoas não vacinadas devem ser priorizadas onde quer que vivam”, apelou o especialista.

Mas ao apelar às nações mais ricas para partilharem urgentemente doses com os países mais pobres, Pollard também pediu aos cidadãos para não recusarem doses de reforço, se oferecidas.

“O dilema moral de ‘vacinar ou não’ não está na alçada de cidadãos individuais que ponderam se devem arregaçar as mangas quando uma clínica de vacinas lhes oferece uma dose de reforço”, afirmou.

O responsável concluiu acrescentando: “Há evidências claras de uma falha dos governos em servir os países mais pobres do mundo. Mas, por enquanto, os indivíduos devem aproveitar ao máximo as vacinas que os seus sistemas de saúde disponibilizam”.

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