Covid-19: há um ano Portugal iria atingir “pico da pandemia”… depois chegou o Natal e um janeiro mortífero

A 24 de novembro de 2020, Portugal voltava a entrar num novo estado de emergência na sequência da pandemia da Covid-19, determinado pela Assembleia da República e aprovado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Em causa estava um aumento crítico do número de casos positivos em território nacional e a garantia das autoridades de saúde que o “pico” da pandemia estava determinado para acontecer fez esta quarta-feira um ano.

Nesta nova fase de emergência, o Governo determinou que entre 27 de novembro e 2 de dezembro, assim como de 4 e 9 de dezembro, coincidentes com os feriados, no território nacional ficou estabelecido a proibição de circulação entre concelhos entre as 23 e as 5 horas. Foi estabelecida tolerância de ponto nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro para os trabalhadores da função pública, assim como o apelo à dispensa dos trabalhadores do sector privado. A atividade letiva foi suspensa entre 30 de novembro e 7 de dezembro e foi instituído o uso obrigatório da máscara nos locais de trabalho.

Portugal ficou dividido em quatro fases – Risco Extremamente Elevado (concelhos com mais de 960 casos por 100 mil habitantes), risco Muito Elevado (concelhos com entre 480 e 959 casos), risco Elevado (240-479 casos) e risco Moderado (menos de 240 casos por 100 mil habitantes).

Para os 47 concelhos com Risco Extremamente Elevado, as regras apertaram ainda mais. Ei-las: Proibição de circulação na via pública durante a semana entre as 23h00 e as 5h00; Proibição de circulação na via pública aos sábados, domingos e feriados entre as 13h00 e as 5h00; Nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro os estabelecimentos comerciais encerram às 15h; Ação de fiscalização do cumprimento do teletrabalho obrigatório.

O primeiro-ministro António Costa, face à subida do número de casos, garantiu não querer agir “precipitadamente”, mas que era necessário agir depressa: “É melhor atuarmos já. Quanto mais tarde atuarmos, maiores são os riscos”, garantiu.

O mais recente boletim epidemiológico da DGS apontava, na altura, para mais 74 mortos, o que elevava para um total de 3.971 vítimas mortais da pandemia da Covid-19. Foram ainda registados 4.044 novos casos – internados estava 3.241 pacientes, dos quais 498 nos cuidados intensivos.

As novas medidas chegaram na sequência de uma reunião do Infarmed, no qual ficou garantido que a pandemia da Covid-19 “atingiu o pico da sua incidência em Portugal”, segundo revelou naquele período a Direção-Geral de Saúde. “Atingiu-se a incidência máxima cumulativa por via de notificação no dia 25 [de novembro] e há já uma tendência de descida que esperemos que seja consolidada nos próximos dias”, afirmou o investigador na reunião do Infarmed.

Relativamente às hospitalizações, a opinião médica da DGS adiantava que apesar de o país já ter “passado o pico das incidências, ainda não há um pico claro nos internamentos”, que disse esperar que “esteja para breve”. “Este ‘delay’ de atingirmos o pico em novos casos e das hospitalizações é esperado, faz parte da evolução natural da doença”, explicou.

No entanto, apesar do novo pacote de medidas, já ecoavam avisos, como o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), que estimou que se os países que levantassem as medidas para permitir as reuniões familiares no Natal iriam sobrecarregar os hospitais no início de 2021. Se essas medidas fossem suspensas, por exemplo, em 7 de dezembro, “o aumento de internamentos poderia começar a ocorrer antes de 24 de dezembro”, referiu o ECDC.

E janeiro não demorou a chegar, transportando consigo o período mais negro da Covid-19 em Portugal – com 16.432 casos atingidos a 28 de janeiro, o máximo alguma vez registado no nosso país.

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