Covid-19: Estudos revelam que a “impressão imunológica” poderá estar a tornar as vacinas ‘bivalentes’ menos eficazes. Saiba do que se trata

Desde setembro do ano passado que vários países estão já a aplicar as vacinas ‘bivalentes’, contra várias variantes da Covid-19, com o objetivo de garantir melhor proteção contra potenciais futuras, perante a versão ‘original’ das inoculações. No entanto, vários estudo científicos revelam que um fenómeno que ocorre no nosso organismo, chamado impressão imunológica, poderá estar a tornar estas vacinas bivalentes menos eficazes do que o que seria esperado.

Dois estudos, publicados em janeiro na publicação científica New England Journal of Medicine (NEJM) apontam que os reforços bivalentes, feitos para combater as duas subvariantes da Omicron e a estirpe original da Covid-19, não geram respostas de anticorpos significativamente maiores do que doses adicionais das vacinas de mRNA.

Esta ineficácia observada, apontam os cientistas, está relacionada com a impressão imunológica.

O que é e o que envolve?
A impressão imunológica é a tendência que o corpo tem em repetir a sua resposta imunitária baseada na primeira variante que encontrou, através de infeção ou vacinação, quando se vê perante uma nova ou ligeiramente diferente versão do mesmo agente patogénico.

O fenómeno foi observado pela primeira vez em 1947, quando cientistas notaram que “pessoas que anteriormente tiveram e gripe, e que depois foram vacinadas contra a estirpe em circulação, produziam anticorpos para a primeira estirpe que tinham encontrado”.
Ao longo dos anos os cientistas estudaram que, depois de o organismo ser exposto a vírus pela primeira vez, produz células de memória B, que circulam no sangue e rapidamente produzem anticorpos, sempre que a mesma variante do vírus provoca infeção.

O problema ocorre quando uma variante similar, mas não idêntica, do mesmo vírus entra no corpo. Nestes casos o sistema imunitário, em vez de gerar nóvas células B, ativa as células de memória B, que por sua vez produzem “anticorpos que se prendem a características encontradas em ambas a antiga e nova variantes”, cita um estudo da Nature.

O que dizem os novos estudos?
O primeiro estudo, de investigadores da Columbia University Vagelos College of Physicians and Surgeons in New York, envolveu 40 participantes, que já tinham recebido três doses da vacina original. 19 receberam um reforço com a vacina original, enquanto os touros 21 receberam o reforço com a nova versão ‘bivalente’ da inoculação.

Foi verificado que as vacinas ‘bivalentes’ “Não geravam uma resposta de pico de anticorpos neutralizantes marcadamente superior, quando comparado com reforços feitos com as vacinas originais monovalentes”, em todas as variantes da Covid-19 testadas.
No segundo estudo, do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, nos EUA, foram comparados os resultados em 15 participantes que receberam reforços com a vacina original e 18 que receberam as vacinas bivalentes. Foi observado que “a mediana de anticorpos neutralizantes da sub-variante BA.5 Omicron era similar após reforços com vacinas monovalentes ou bivalentes de mRNA, com uma tendência modesta a favorecer o reforço com dose bivalente por um fator de 1.3”.

Os dois grupos de cientistas sugerem que a causa está nos efeitos da impressão imunitária.

Como contornar esta situação?
Atualmente há vários estudos a decorrer para tentar encontrar uma forma de lidar com a impressão imunológica. Alguns cientistas defendem que as vacinas nasais ou orais poderão ser melhores para prevenir infeções do que as que são injetadas, sustentando que as membranas mucosas criariam uma proteção maior, mesmo com a impressão deixada por uma exposição anterior.

Os investigadores estão também a tentar descobrir se espaçar mais as vacinas contra Covid-19 numa base anual poderia ajudar a resolver a questão da impressão imunológica.

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