Covid-19: Estes são os principais fatores de risco de mortalidade, indica estudo

A idade e as doenças prévias são fatores chave que determinam o risco de mortalidade, segundo um estudo publicado no jornal espanhol ‘El Mundo’. O ‘Ciber-UCI-Covid’, levado a cabo por investigadores do CIBER de Doenças Respiratórias (Ciberes), procurou identificar os fatores de risco e prognóstico – bem como a respetiva evolução após receber alta – para determinar o efeito do vírus SARS-CoV-2 nos pacientes em cuidados intensivos.

Em junho de 2020, os responsáveis do estudo iniciaram o trabalho e até finais de 2021 foram acompanhados quase 8 mil pacientes em cerca de 69 unidades de cuidados intensivos em Espanha. Foram igualmente analisados a epigenética – área da biologia que estabelece uma relação entre os genes e os seus efeitos nas características observáveis de um organismo ou população. Por exemplo, adicionar compostos químicos a genes pode alterar a sua atividade, sem necessariamente promover mudanças no DNA – e biomarcadores de 1.068 amostras de sangue.

Antoni Torres, líder do grupo CIBER de Doenças Respiratórias do Hospital Clínic de Barcelona, revelou que o estudo pretendeu compreender “as muitas incógnitas” sobre a evolução da pandemia da Covid1-19 e, de facto, apontou uma conclusão: a idade é o fator que influencia mais claramente a mortalidade em pacientes infetados em unidades de cuidados intensivos. As comorbidades, especialmente a doença pulmonar obstrutiva (DPOC), também são fatores determinantes. A taxa de mortalidade de pacientes com DPOC internados em cuidados intensivos devido à Covid-19 é de entre 50 e 58%.

Além da doença pulmonar obstrutiva, a doença renal crónica também está ‘em destaque’ nos fatores de risco. Embora os diabetes indiquem uma tendência de maior mortalidade, não se destacam como fator de risco tão claramente quanto as duas outras patologias – globalmente, a mortalidade hospitalar em unidades de cuidados intensivos é de 31%. “Na mesma situação grave, a mortalidade por pneumonia bacteriana estaria nos 20%”, apontou o responsável do estudo.

No entanto, entre os pacientes com a Covid-19 que saíram das unidades de cuidados intensivos, a mortalidade é estimada em apenas 1%, “algo que difere muito do que ocorre na pneumonia bacteriana, no qual se estima que 35% dos que sobreviveram aos cuidados intensivos morrem em apenas um ano”.

Embora a Covid-19 esteja já a afastar-se da fase aguda, com menor mortalidade do que outras doenças respiratórias, é impossível esquecer que “15/20% dos pacientes terão sintomas pós-Covid-19, um transtorno altamente variável em termos das suas manifestações e cura”, explicou Antoni Torres.

Ler Mais


Comentários
Loading...