Covid-19: Especialista defende vacinação de crianças e jovens “o mais rápido possível”

Manuel Santos Rosa, imunologista e professor catedrático da Universidade de Coimbra, defende que as crianças e jovens devem ser vacinados contra a Covid-19 “o mais rápido possível”, uma vez que cada vez mais este grupo etário é afetado pela doença viral.

Em declarações ao ‘Diário de Notícias’ (DN), o especialista considera que é preciso que a imunização destes grupos seja feita o quanto antes, contudo, ressalva que “o timing para o fazer não deve ser prioritário em relação a outros grupos ou semelhante ao início do processo de vacinação, quando estávamos com um número de mortos muito elevado na faixa dos mais idosos”.

Segundo os últimos dados da Direção Geral da Saúde (DGS), registam-se mais de 125 infetados na faixa etária dos 20 aos 29 anos, mais de 81 mil na dos 10 aos 19 e já 48 mil entre a dos zero aos nove anos.

Por esse motivo, Manuel Santos Rosa defende a aposta na proteção das crianças e dos jovens, através da antecipação da vacinação, sublinhando que esta “é uma mais-valia não só para proteger a comunidade, mas elas próprias”.

“Quando falo em antecipar a vacinação, não é por uma questão de antecipar no tempo, na minha perspetiva o antecipar é dar mais robustez ao processo vacinal”, esclarece citado pelo ‘DN’.

Isto significa, adianta ainda, que “é fundamental percebermos todos que o nosso alvo não deve ser o chegarmos meramente à vacinação dos 30 e dos 40 anos, mas que esta tem de chegar a todos, à população em geral, o mais rápido possível, em que as crianças e os jovens também estão envolvidos”.

Segundo o responsável, mesmo “os estudos realizados mais recentemente sobre a eficácia das vacinas nas faixas etárias mais jovens, e que envolveram crianças de cinco e sete anos e outras, indicam precisamente que estas deveriam ser vacinadas precocemente, por serem indiscutivelmente um veículo transmissor”.

“É uma mais-valia e contribui para a robustez da imunidade de grupo”, refere o imunologista, que tem ainda algumas dúvidas relativamente a este conceito. “Não sabemos se a imunidade grupo é atingida aos 70%, aos 75% aos 80% e até mesmo aos 90%, porque, com este tipo de vírus não temos qualquer paralelismo fácil que nos permita estabelecer a percentagem a partir da qual teremos imunidade de grupo”, adianta ao mesmo jornal.

Para Manuel Santos Rosa importa perceber que a imunidade de grupo depende do país, da região, da população e até da própria condição imunitária da população e não só do número de pessoas vacinadas, podendo, por isso, ser necessária uma percentagem de vacinados muito superior ao definido para Portugal ou até para a Europa, que é de 70%.

No entanto, defende que as crianças e os jovens, “estou a falar do grupo etário até aos 18 anos, representam cerca de 30% da população portuguesa e até europeia. O que quer dizer que se não vacinarmos crianças e jovens estamos no limite de se conseguir a tal imunidade de grupo, porque este grupo será sempre um veículo de transmissão do vírus”, conclui.

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