Covid-19: Dezenas de profissionais de saúde assinam carta a alertar contra a pressa de vacinar os mais jovens

Um grupo de dezenas de profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e farmacêuticos, escreveu uma carta na qual alertam contra a pressa de vacinar os mais jovens. Em causa está o risco de desenvolver problemas cardíacos e até uma possível violação dos direitos universais.

“A proteção das crianças e adolescentes é um dever médico, em consonância com os princípios bioéticos da não maleficência (o dever
de não causar mal) e o princípio da precaução (na ausência de certeza científica formal, a existência de risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano)”, começa por ler-se na carta a que a ‘TSF teve acesso.

Um dos principais problemas reportados no documento é o facto de “as vacinas de mRNA para a COVID-­­19 poderem causar miocardites
e pericardites, muito particularmente abaixo dos 30 anos de idade”.

“A ocorrência destes casos de doença inflamatória do coração que necessitaram de tratamento hospitalar, e cujas sequelas a longo prazo não se conhecem, felizmente raros, foi um primeiro sinal de alerta e é razão de enorme preocupação porquanto as crianças e adolescentes, a serem vacinados, serão expostas ao risco de reações adversas graves”, acrescentam.

Teresa Gomes Mota, uma das relatoras desta carta, explicou à TSF que os estudos preliminares apontaram para “o surgimento destas doenças, que na maioria das situações até evoluiu de forma benigna, mas que obrigaram a internamento” e podem ser um risco desnecessário neste momento.

“Nós não podemos estar à espera que só as autoridades se debrucem sobre o assunto, principalmente quando começaram a anunciar que as crianças iriam ser vacinadas”, afirmou. “Tendo uma perspetiva diferente decidimos avançar com esta declaração”, acrescentou.

Para a responsável, é “preocupante a falta de benefícios nas crianças e adolescentes”. “Sabemos que as crianças têm uma infeção sem sintomas, a doença é benigna e portanto não parece haver um beneficio em termos de proteção da doença”, defende.

Para além disso, a especialista fala num outro ponto que é uma possível violação dos direitos universais. “As crianças não têm de ser sacrificadas para proteger os adultos, não me parece ético”, afirmou.

“Vai contra vários princípios, nomeadamente a convenção dos diretos da criança, que foi retificada também por Portugal, em que dizemos que todas as decisões relativas a crianças têm de ter em conta o superior interesse da criança”, explica.

Se não há “risco imediato”, porquê vacinar?

Jorge Amil Dias, presidente do colégio de pediatria da Ordem dos Médicos, também considera que seria prudente aguardar por dados mais sólidos, antes de avançar para a vacinação contra a Covid-19 das crianças e dos jovens.

“Esta doença tem poupado a população infantil. As crianças, infelizmente, também adoecem, mas, felizmente, não morrem com esta doença nem são os grandes disseminadores”, refere citado pela ‘TSF’.

Desta forma, acrescenta, “se não estão em risco imediato, se ainda não temos estudos de dimensão suficiente sobre a solidez da sua segurança, então talvez [devamos] ter alguma parcimónia e alguma prudência e aguardar [antes de arrancar com a vacinação desta faixa etária]”, defende.

No que diz respeito às decisões políticas, o médico sublinha que “caberá às entidades responsáveis tomar a decisão final. Todavia, é legítimo dizê-lo: se assumirem fazê-lo de imediato, estão a dispensar outras evidências – e seria lamentável se tivéssemos de dar passos atrás nessa decisão, como afinal aconteceu com algumas marcas de vacinas que se usaram em adultos”, conclui

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