Covid-19: cerca de um quarto dos cientistas que falaram sobre pandemia foram ameaçados de morte ou de violência

Mais de um quarto dos cientistas que divulgaram publicamente as suas opiniões sobre a pandemia do Covid-19 foram ameaçados de morte ou de violência, de acordo com o resultado de uma pesquisa da revista ‘Nature’ – 321 cientistas de 20 países que responderam à pesquisa confirmaram que enfrentaram ameaças de violência sexual, reclamações profissionais, racismo, campanhas coordenadas de assédio e até pacotes ameaçadores enviados para as respetivas residências.

Quarenta e sete pessoas (15% do total) relataram ter recebido ameaças de morte depois de falar sobre o Covid-19 para a comunicação social ou na sequência de posts nas redes sociais – 2/3 dos quais relataram experiências “negativas” após falarem.

Entre os casos mais famosos esteve o virologista belga, dr. Marc van Ranst, que foi forçado a ir para uma casa segura com a sua família depois de um soldado, fortemente armado, o ter ameaçado. Jurgen Conings, que se tornou mais tarde um herói no movimento antivacinas, foi encontrado morto depois, num aparente suicídio.

Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, teve de receber segurança depois de ter sido ameaçado. Já Chris Whitty, chief medical officer (CMO) de Inglaterra, foi empurrado em plena rua. Um virologista alemão chegou mesmo a receber um pacote com um frasco com um rótulo a dizer “positivo”, encorajando-o a beber.

“Ocasionalmente, fui ameaçado de várias formas de morte, violência e prisão perpétua”, disse o dr. Simon Clarke, professor associado da Universidade de Reading, na Inglaterra. “Tive a sorte de ter-me sentido capaz de ignorar as ameaças que recebi, mas sei que alguns colegas tiveram experiências muito piores.”

O estudo sugere que os especialistas têm maior probabilidade de receber abusos pessoais no Twitter em comparação com outras plataformas de redes sociais.

A professora Chloe Orkin, presidente da Medical Women’s Federation, afirmou: “Estas conclusões demonstram que as visões anticientíficas altamente carregadas e polarizadas em torno da Covid-19, juntamente com o relativo anonimato das redes sociais, forneceram um terreno fértil ideal para o abuso online.”

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