Covid-19: À medida que a variante Ómicron se espalha, a pandemia alguma vez vai terminar?

A nova variante da Covid-19, a Ómicron, sucedeu à observação da variante MU, em janeiro de 2021, e o aparecimento da Delta, em dezembro de 2020, que atualmente é responsável pela grande maioria das infeções a nível mundial. Com esta nova variante, houve um aumento nas pesquisas dos utilizadores do Google, no qual a pergunta era “quando é que a Covid-19 vai terminar?” Mas, mesmo quando a pandemia global terminar, quais as hipóteses de as coisas voltarem ao que eram antes de começar?

“A Covid-19 provavelmente estará sempre connosco, então algumas coisas serão sempre diferentes”, explicou Mark Jit, professor de epidemiologia de vacinas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), em entrevista à revista ‘Newsweek’. “Provavelmente vamos precisar de receber uma injeção da vacina contra a Covid-19 todos os anos. O trabalho remoto, provavelmente, será mais comum do que em 2019, independentemente do que acontecer com a pandemia”, apontou.

A grande maioria dos imunologistas partilha da opinião de Jit, que a Covid-19 não vai a lugar nenhum tão cedo. No início deste ano, a revista ‘Nature’ perguntou a 100 cientistas da área de imunologia, investigadores de doenças infeciosas e virologistas que trabalham com a Covid-19 se o vírus poderia ser erradicado. Dos entrevistados, 90% disseram que quando a pandemia da Covid-19 terminar, não será o fim do vírus. Em vez disso, é provável que se torne um vírus endémico, o que significa que circulará em certas regiões e comunidades em todo o mundo por muitos anos.

“Assim como nas pandemias anteriores, podemos esperar que a vida quotidiana seja diferente depois, mas de maneiras que não podemos prever facilmente”, explicou Martin McKee, também professor de saúde pública europeia na LSHTM, à ‘Newsweek’.

Yonatan Grad, professor de imunologia e doenças infeciosas da Universidade de Harvard, partilhou, num comunicado divulgado no início de 2021, a mesma visão: “Sabemos de alguns vírus respiratórios que foram introduzidos na população humana; que se espalharam pelo mundo e fizeram a transição para a circulação endémica, geralmente com picos anuais de incidência no inverno.” Grad dá vários exemplos na história mundial: a pandemia de gripe de 1918 e outras, mais recentes, pandemias de influenza em 1957 e 1968. “As pandemias geralmente começaram com taxas de mortalidade por infeção mais altas do que as observadas nos anos seguintes à sua introdução, à medida que os vírus continuavam a circular”, disse.

“Embora o declínio das taxas de mortalidade após as pandemias possa ser devido a uma série de fatores, um dos principais contribuintes é que a primeira onda de exposição a um patógeno confere algum grau de proteção contra a reinfeção e gravidade da doença se a reinfeção ocorrer. As vacinas conferem proteção da mesma forma, como os dados demonstraram”, apontou.

Mark Jit também comparou o futuro da Covid-19 com o vírus da gripe. “A gripe foi na verdade uma das principais causas de mortalidade no Reino Unido antes de 2020 e, em parte, responsável por um grande aumento nas internações em hospitais e nos cuidados intensivos no inverno. Lidámos com isso principalmente tentando vacinar as pessoas a cada inverno, especialmente os profissionais de saúde e as pessoas mais vulneráveis”, apontou, acrescentando que, apesar das potenciais semelhanças nas respostas à Covid-19 e à gripe, acredita que a primeira continuará a ser a doença mais grave dos dois, pelo menos nos próximos anos.

Jit acredita que mesmo quando terminar a necessidade de precauções como máscaras e distanciamento social, algumas dessas coisas podem-se tornar parte de nossa cultura, dando um exemplo histórico: “Em muitos países asiáticos que foram gravemente atingidos pela SARS em 2003, ainda existe a cultura de uso de máscaras. Na verdade, pode ajudar a manter a circulação de muitos outros vírus, bem como do SARS-CoV-2, se as pessoas voluntariamente usarem máscaras com mais frequência em lugares lotados.”

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