Comunidade devastada de Uvalde, no Texas, dividida: pais pedem controlo de armas, outros exigem armas para professores

A devastada comunidade de Uvalde, no Texas, está dividida quanto ao controlo de armas após o massacre na escola primária. Se por um lado pais e adolescentes da escola local estão a pedir restrições para impedir que mais adolescentes como Salvador Ramos de comprar um AR-15 um dia depois de ter completado 18 anos e ter usado para matar 19 crianças e dois professores, por outro lado o agente da polícia fora de serviço que evacuiu várias crianças, incluindo a sua filha de 8 anos da Robb Elementary Scholl, pede que os professores sejam treinados e armados para proteger os seus alunos no caso da próxima tragédia, que será inevitável.

Já Jacob Albarado, pai de três filhos, que pediu emprestada uma espingarda ao seu barbeiro e correu para a escola depois de saber do tiroteio, exigiu mais guardas nas escolas e treino para os educadores. “Só o tempo vai curar a dor e esperamos que sejam feitas mudanças em todas as escolas dos Estados Unidos e os professores sejam treinados a autorizados a carregar uma arma para proteger os alunos e a si mesmo”, explicou, em declarações reproduzidos no tabloide britânico ‘Daily Mail’.

Mas os pais das crianças da Robb Elementary School, muitos dos quais perderam tragicamente os filhos, têm pedido o controlo de armas.

O xerife (e pai) Felix Rubio, que foi um dos polícias que respondeu ao alerta, conversou com a ‘CNN’ e pediu medidas de controlo de armas para se tentar evitar que outros pais sofram perdas como a dele. A sua filha Lexi, de 10 anos, estava entre as 19 crianças assassinadas por Salvador Ramos. “Tudo o que posso esperar é que ela não seja apenas um número. Isto é suficiente. Ninguém mais precisa passar por isso. Já estou farto de armas”, garantiu. “Não quero que o nome da minha filha seja apenas outro nome.”

A mãe Ana Rodriguez, que perdeu a sua filha de 10 anos Maite Rodriguez no tiroteio, disse que as leis de armas no estado do Texas são irreais. “Como é que um jovem de 18 anos pode comprar um AR mas não pode comprar cerveja? Isso é insanidade absoluta’, acusou, em declarações à revista ‘Rolling Stone’. “Na minha opinião, o cérebro de ninguém está totalmente desenvolvido aos 18 anos. Ainda se é uma criança, e o que uma criança faria com uma AR? Acho que todos sabemos agora”, lamentou.

O Texas, como a grande maioria dos estados dos EUA, permite que jovens de 18 anos comprem armas longas, incluindo espingardas e caçadeiras. No dia seguinte ao tiroteio, Abbott apontou que o endurecimento das leis sobre armas não é uma “solução real” para a violência armada porque lugares como Nova Iorque e Chicago têm mais tiroteios do que as escolas no Texas.

Abbott atribuiu a culpa pelo tiroteio na escola não às leis sobre armas do Texas mas à “crise de saúde mental”. “Nós, como estado, como sociedade, precisamos fazer um trabalho melhor com a saúde mental. Qualquer um que atira noutra pessoa tem um problema de saúde mental. Ponto final”, referiu disse Abbott.

Na passada quinta-feira, o presidente da Assembleia de Wisconsin, Robin Vos, disse à AP que estava aberto à ideia de armar professores após o tiroteio no Texas, assegurando que encontrar maneiras de proteger melhor as escolas, com mais polícias, seguranças ou professores armados, “deveria estar na mesa”. “Não são apenas professores. É garantir que as pessoas que estão dentro da escola tenham a capacidade de se defender”, disse Vos.

Mas, segundo o presidente da Associação Nacional de Educação – um dos maiores sindicatos de professores do país -, trazer mais armas para as escolas é o oposto do que é necessário para resolver o problema dos tiroteios nas escolas. “As nossas escolas públicas devem ser os lugares mais seguros para estudantes e educadores, mas os tiros de um atirador solitário destruíram a segurança física da comunidade escolar em Uvalde, Texas”, pôde ler-se no comunicado da presidente da NEA, Becky Pringle.

“O poderoso lobby das armas e os seus aliados não perderam um segundo após o terrível assassinato na Robb Elementary School para pedir que os professores fossem armados. Trazer mais armas para as escolas torna as escolas mais perigosas e não faz nada para proteger os nossos alunos e educadores da violência armada. Precisamos de menos armas nas escolas, não mais. Os professores deveriam ensinar, não agir como seguranças armados”, finalizou.

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