Comissão independente ainda não produziu uma acusação de possíveis abusos sexuais no seio da Igreja Católica

Ao fim de oito meses, a comissão independente nomeada pela Igreja Católica para recolher testemunhos de possíveis abusos sexuais não conseguiu, até ao momento, produzir qualquer acusação, revelou esta sexta-feira o semanário ‘Expresso’, tendo o Ministério Público arquivado 4 das 17 queixas reportadas pela comissão.

O pedopsiquiatra Pedro Strecht, nomeado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) como coordenador da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja, revelou pretender analisar “tudo o que pode ter acontecido”, desde 1950 até ao presente, sobre eventuais abusos cometidos por sacerdotes ou pessoas ligadas à Igreja contra crianças e menores de idade. Foi criada uma linha telefónica e um site para receber as denúncias das vítimas. Algumas delas já terão sido ouvidas presencialmente.

Em abril último, a CEP decidiu abrir os arquivos históricos de cada diocese à Comissão Independente, operação dirigida pelo historiador Francisco Azevedo Mendes, documentação que pode tornar-se essencial para as investigações, porque muitos dos casos suspeitos foram investigados no seio da Igreja e não foram comunicados às autoridades civis.

No final de junho, seis meses depois do início da atividade, a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja revelou que tinham sido validados 338 inquéritos e encaminhados 17 casos de abusos sexuais validados para o Ministério Público – no caso, com todos os padres ainda no ativo. O Ministério Público arquivou quatro das 17 queixas reportadas pela comissão. Nenhum dos casos deu ainda origem a uma acusação.



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