Cientista russo responsável pelos mísseis hipersónicos preso e acusado de traição: é o terceiro nos últimos dois meses

Nos últimos dois meses, a Rússia prendeu três cientistas envolvidos no desenvolvimento de “sistemas de mísseis hipersónicos”: o último foi Alexander Shiplyuk, proeminente cientista russo que foi preso e acusado de traição, segundo revelou esta 6ª feira a agência de notícias ‘TASS’ – foi detido na cidade siberiana de Novosibirsk e levado para o centro de detenção pré-julgamento de Lefortovo, em Moscovo.

O cientista trabalhou no ramo siberiano da Academia Russa de Ciências como diretor do Instituto Khristianovich de Mecânica Teórica e Aplicada. Nessas funções, teria trabalhado no desenvolvimento de aeronaves e mísseis hipersónicos, uma arma chave no arsenal de Vladimir Putin. Segundo o site do instituto, o “alvo geral” de alguns dos trabalhos de Shiplyuk era “a criação de sistemas de mísseis hipersónicos promissores”.

Após a prisão de Shiplyuk, o Instituto Khristianovich foi alvo de buscas por parte das autoridades, relatou Vasily Fomin, que trabalhou lá como diretor científico. “Houve eventos operacionais no instituto, ligados ao nosso diretor Alexander Nikolaevich Shiplyuk. Ele foi preso.”

Shiplyuk é o terceiro cientista proeminente de Novosibirsk a ser preso nos últimos meses. A 28 de junho, Anatoly Maslov, professor do Departamento de Aerohidrodinâmica da Universidade Técnica Estadual de Novosibirsk, foi preso por suspeita de traição. Também ele foi transferido para o centro de detenção de Lefortovo após ser detido.

Dois dias depois, outro cientista de Novosibirsk, Dmitry Kolker, de 54 anos, foi preso pelo Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), responsável pela contra-espionagem. Kolker, que tinha câncer de pâncreas avançado, morreu sob custódia do Estado alguns dias depois, depois de ser levado para Lefortovo. A família do cientista não se conformou. “O FSB matou meu pai, tirando-o do hospital enquanto sabia em que condição ele estava. Obrigado país!!!! Eles nem deixaram a nossa família despedir-se”, denunciou o filho nas redes sociais, dirigindo-se à “máquina estatal inteira” da Rússia: “Espero que respondam pelas suas ações. Levaram dois dias para matar um homem.”

Segundo o jornal britânico ‘The Times’, Kolker foi preso por suspeita de passar informações para a China. Acredita-se que a alegação tenha origem numa palestra que ele deu na China em 2018, que o Ministério da Defesa diz conter segredos de Estado. O advogado de direitos humanos Pavel Chikov rejeita a hipótese, insistindo que a apresentação de Kolker foi pré-aprovada pelo FSB. Acrescentou ainda que este esteve acompanhado por um agente do FSB durante todo o tempo em que esteve na China.

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