Chineses homenageiam Jiang Zemin ou “rei sapo” e criticam o atual Presidente

Os chineses reagiram hoje nas redes sociais à morte do ex-presidente Jiang Zemin com ‘memes’ irreverentes e críticas ao atual Presidente, homenagens ao “rei sapo” e nostalgia por um tempo considerado mais livre.

No espaço de uma hora, mais de meio milhão de pessoas comentaram na rede Weibo (equivalente chinês ao Twitter) uma publicação da emissora estatal CCTV anunciando a morte do ex-presidente, muitas delas referindo-se ao ex-líder como “Avô Jiang”.

O seu legado é misto. Muitos chineses apreciavam a sua personalidade pública com humor e uma lufada de ar fresco que trouxe após décadas de liderança comunista formal, enquanto os seus críticos acusavam-no de fomentar a corrupção, a desigualdade e a repressão de ativistas políticos.

Durante a sua reforma, tornou-se figura devotada entre os fãs chineses das gerações Y (nascidos entre o início dos anos 1980 e finais dos anos 90) e Z (finais dos anos 1990 a 2010), que se autointitulavam os “devotos do sapo”, fascinados pelo seu semblante excêntrico e com semelhanças ao referido animal.

Após a sua morte, a maioria dos comentadores nas redes sociais mostra nostalgia pela sua passagem pelo poder (1989-2003).

“Este é o fim de uma era. Ele representava a nossa infância e juventude”, escreveu um utilizador no Weibo.

Alguns usaram a morte de Jiang Zemin, anunciada após um fim de semana de protestos a nível nacional contra a dura política anticovid do Presidente Xi Jinping, para criticar o atual líder.

“Sapo… Podes levar ‘Ursinho Puff’?”, perguntou um internauta, usando uma alcunha proibida para o Presidente Xi, relacionada com uma personagem de desenhos animados.

“A era Jiang, embora não tenha sido a mais próspera, foi mais tolerante”, escreveu outro utilizador do Weibo.

“Ouvi muitas críticas sobre ele, mas o facto de ter permitido que vozes críticas existissem mostra o quão louvável ele era”, disse outro utilizador, e muitos “fiéis do sapo” prestaram as suas homenagens.

Muitas publicações humorísticas foram censuradas pelo Weibo em poucos minutos.

Na popular aplicação WeChat, os internautas publicaram ligações para canções intituladas “Pena que não és tu”, em referência ao Presidente Xi e “Não foi a pessoa certa”.

Os comentários sob a primeira canção foram desativados no serviço de música online NetEase pouco depois da morte do antigo Presidente.

O ex-presidente chinês Jiang Zemin, que liderou a China após os protestos pró-democracia de Tiananmen, em 1989, até ao início da década de 2000, morreu hoje aos 96 anos, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Jiang ascendeu ao poder um dia depois de tanques do exército terem posto fim ao movimento da Praça Tiananmen, na noite de 03 para 04 de junho de 1989, e acompanhou a transformação do país mais populoso do mundo numa potência mundial.

O ex-chefe de Estado morreu de leucemia e da falência múltipla de órgãos em Xangai, a capital económica da China, onde serviu como líder local do Partido Comunista (PCC), na segunda metade da década de 80.

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