China deve preparar-se para avançar com ataque nuclear em resposta à crescente presença dos EUA na região, alerta diplomata

A China deve estar pronta para utilizar as suas armas nucleares e abandonar a política de só avançar em caso de retaliação, para combater as novas alianças formadas no Pacífico, afirmou hoje um diplomata, citado pelo ‘Daily Mail’.

Sha Zukang, ex-embaixador chinês na ONU, disse numa cimeira de especialistas em política nuclear da China, que está na hora de “reanalisar e ajustar” um compromisso de longa data, de utilizar apenas armas nucleares como retaliação, numa altura em que os EUA “constroem novos alianças militares e aumentam a sua presença militar na região”.

A política atual de Pequim – que está em vigor desde os anos 1960 – deu à China uma “posição moral elevada”, mas “já não é adequada, a menos que a China e os EUA concordem que nenhum dos lados usará [armas nucleares] primeiro”, disse o responsável, citado pelo jornal.

O diplomata referiu ainda que é “apenas uma questão de tempo” até que esse acordo seja negociado, mas que Pequim deve estar preparado para assumir uma postura mais agressiva, caso isso não aconteça.

As declarações de Zukang – que surgem numa altura em que a China constrói centenas de novos silos de mísseis nucleares – são significativas porque Pequim costuma alterar políticas por influência de diplomatas seniores.

O órgão ao qual o responsável se dirigiu – a Associação de Controlo de Armas e Desarmamento da China – é oficialmente independente, mas tem fortes laços com o Partido Comunista.

Zukang falou na mesma semana em que os Estados Unidos anunciaram uma nova aliança importante com o Reino Unido e a Austrália – apelidada de AUKUS – para fornecer a esta última os seus primeiros submarinos nucleares, um grande avanço tecnológico que é claramente projetado para contrabalançar o poder chinês no Pacífico.

O aviso do diplomata também surge na esteira de outra aliança entre os EUA, Índia, Japão e Austrália – apelidada de Quad – com Joe Biden definido para apresentar a primeira cimeira presencial de líderes. Enquanto os quatro estão a colaborar numa série de questões de segurança, a crescente ameaça da China está no topo da agenda.

A China tornou-se uma potência nuclear em 1964 e adotou a política de “não atacar primeiro” quatro anos depois. Afirma que Pequim nunca será a primeira a usar armas nucleares num conflito, usando-as apenas se for atingida primeiro.

Também os EUA têm uma política semelhante, de nunca usar ou ameaçar usar armas nucleares contra a maioria de outras nações, incluindo todas aquelas sem armas nucleares – mas isentou a China, Rússia e Coreia do Norte dessa regra.

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