China assina polémico acordo de segurança com as Ilhas Salomão: Austrália e Estados Unidos em alerta

A China anunciou, esta terça-feira, o acordo de segurança com as Ilhas Salomão. “Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China e das Ilhas Salomão assinaram recentemente o acordo de cooperação na área de segurança”, apontou o porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin, que ressaltou tratar-se de “uma cooperação normal entre dois países soberanos e independentes”. O acordo vai apoiar “a estabilidade das Ilhas Salomão a longo prazo”. O acordo de segurança provocou diversas críticas de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, preocupados com as ambições militares de Pequim no Pacífico.

No final de 2021, as Ilhas Salomão foram abaladas por violentos distúrbios, em parte devido ao ressentimento da população com a crescente influência da China. Honiara, capital do arquipélago do Pacífico Sul, a 1.500 quilómetros da Austrália, foi palco de atos de vandalismo e diversos estabelecimentos comerciais chineses foram incendiados.

A Austrália foi um dos países da região que deslocaram forças de paz para as Ilhas Salomão a pedido do Governo. Desde então, Pequim, que enviou instrutores da polícia e agentes do Batalhão de Choque, tenta fortalecer o seu dispositivo de proteção na ilha.

Na prática, o documento terceiriza a segurança do arquipélago, colocando as forças chinesas à disposição do Governo das Ilhas Salomão para “proteger a infraestrutura do país” e controlar eventuais revoltas internas. Assim, o exército chinês passou a ocupar mais uma região do Pacífico, depois das críticas ao avanço de Pequim sobre o mar do Sul da China, na região entre as Filipinas e o Vietname, já contestado pelas nações do Sudeste Asiático.

Austrália e Estados Unidos não escondem a sua preocupação com a possibilidade da China construir uma base na região do Pacífico Sul. Esta infraestrutura permitiria ao país projetar o seu poderio militar naval muito além das suas fronteiras.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Marise Payne, mostrou-se dececionada pela falta de detalhes. “Estamos preocupados com a falta de transparência com que este acordo foi desenvolvido, dado o seu potencial para minar a estabilidade na nossa região”, afirmou, em comunicado.

Na passada 2ª feira, a Casa Branca anunciou o envio de uma delegação de alto nível dos Estados Unidos, incluindo o coordenador do Indo-Pacífico Kurt Campbell, que viajará para Honiara para discutir preocupações sobre a China bem como a reabertura de uma embaixada dos Estados Unidos nas ilhas. Para o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, o pacto de segurança entre as Ilhas Salomão e a China pode desestabilizar a nação insular do Pacífico e estabelecer um “precedente preocupante” para a região. “Apesar dos comentários do Governo das Ilhas Salomão, a natureza ampla do acordo de segurança deixa aberta a porta para o envio de forças militares da China”, explicou.

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