Chegou a 6.ª fase do luto pandémico: começar do zero em busca do sentido da vida

Negação, raiva, negociação, depressão e aceitação são conhecidas como as cinco fases do luto, mas o contexto de pandemia poderá levar a juntar mais uma. Um estudo realizado pela Pew Research mostra que 66% dos norte-americanos pensa mudar de carreira profissional, outros ponderam uma licença sabática para passar mais tempo com a família e descobrir aquilo que querem fazer, realmente, com as suas vidas.

Segundo a Fast Company, aquele que parece ser o início de um mundo pós-pandemia – em que os planos de vacinação aceleram – é também o início da sexta fase do luto: a busca pelo significado e pelo sentido da vida. E esta mudança não diz respeito apenas a profissionais com empregos com baixos salários, por exemplo, já que também pessoas com postos de trabalho estáveis e bem pagos estão a repensar os seus percursos e a ponderar começar do zero.

A mesma publicação indica ainda que não se trata só de trabalho. Outro inquérito realizado pela Bankrate.com mostra que os cidadãos estão também a mudar de casa, com 16% dos adultos inquiridos a afirmar ter encontrado um novo lar em plena pandemia. Em alguns casos, são pessoas que já estavam a pensar mudar-se e que viram os planos acelerados pelo coronavírus; noutros, a pandemia veio mostrar a importância da casa e da proximidade da família, por exemplo.

Há ainda outro aspeto a ter em consideração: mudanças familiares. Especialistas citados pela Fast Company antecipam um pico de divórcios como consequência da pandemia e do confinamento. As pessoas parecem estar a analisar todos os elementos das suas vidas, desde o trabalho à casa, passando pelas relações, perspetivas de vida, objetivos e até a forma de vestir.

A nível global, parece que as populações se reúnem na mesma fase de luto pandémico, marcada pelo desapontamento coletivo provocado pela perda de entes queridos, por exemplo, mas também de todos os impactos da crise sanitária nas rotinas.

David Kessler, autor do livro “Finding Meaning: The Sixth Stage of Grief”, lembra, porém, que «fazer alterações extremas enquanto se experiencia dor é como operar maquinaria pesada enquanto se está alcoolizado – não se deve fazer». No fundo, a mudança imediata deve ficar para casos em que é mesmo necessário tomar uma decisão. Nos restantes, o melhor é deixar passar algum tempo para perceber se a mudança é motivada somente pelo luto – mesmo que esse luto seja referente a dois períodos de confinamento e pouco contacto social e não a morte de alguém.

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