Células infetadas com o SARS-CoV-2 podem ‘explodir’, alerta estudo

As células infetadas com a Covid-19 podem “explodir”, o que contribui para o desenvolvimento de doença grave, segundo alertaram diversos investigadores dos Estados Unidos e do Reino Unido, que analisaram amostras de sangue de pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 e descobriram que 6% dos monócitos – células imunes que patrulham o corpo à procura de invasores estranhos – estavam a passar por um tipo de morte celular conhecida como piroptose, que é associada à inflamação após ser infetada pelos vírus.

Uma pequena proporção de macrófagos – outro tipo de célula imune, que engole e destrói restos celulares estranhos – também ficou inflamada após ser infetada pelo Sars-CoV-2. No caso dos dois tipos de células, acredita-se que o vírus tenha ativado os chamados inflamassomas: grandes moléculas que desencadeiam uma cascata de respostas inflamatórias que podem culminar na morte celular.

Diversos estudos sugerem, há muito tempo, que a doença grave da Covid-19 é causada por inflamação, o que pode levar a danos nos pulmões e em outros órgãos. Assim, o sistema imunológico em pessoas com a Covid-19 pode efetivamente ativar o corpo a libertar proteínas que combatem infeções conhecidas como “citocinas”, que atacam o tecido saudável. Estas ‘tempestades de citocinas’ têm sido associadas a doenças graves.

O novo estudo, realizado por cientistas do Royal Free Hospital de Londres com o Hospital Infantil de Boston, sugeriu agora que a piroptose também desempenha um papel na escalada da doença. “A inflamação e a morte celular são fatores importantes na Covid-19 grave e o nosso estudo mostrou que a piroptose é frequentemente a culpada”, referiu Gautam Mehta, hepatologista consultor do Royal Free Hospital, ao tabloide britânico ‘The Mail On Sunday’.

A via da piroptose atua como um “sistema de alarme” para o corpo. “Se deteta partículas bacterianas ou virais dentro da célula, leva a uma ‘explosão’ da célula e à libertação de conteúdo pró-inflamatório. Isto tem o benefício de eliminar a infeção mas pode resultar numa inflamação grave. As células imunes infetadas podem potencialmente ser um meio para o desenvolvimento de medicamentos, segundo os cientistas, o que aumenta a esperança de que novos tratamentos possam ser projetados para impedir que uma pessoa infetada possa ficar gravemente doente. “É uma descoberta importante porque atualmente os nossos tratamentos contra a Covid-19 são voltados para o próprio vírus”, ilustrou Mehta.

“Se pudermos direcionar o processo que causa a doença grave, poderemos desenvolver um tratamento eficaz que funcione mesmo em pacientes para os quais as vacinas não são eficazes.”

Ler Mais


Comentários
Loading...