Canal da Mancha vai causar mais mortes entre migrantes, avisam instituições de caridade

Um dia após a morte de 27 pessoas que tentavam chegar à Grã-Bretanha num bote insuflável, diversas instituições de caridade garantiram que haverá mais mortes de migrantes no Canal da Mancha.

“A menos que vejamos isso como um catalisador para uma mudança sistémica adequada, isso vai continuar a acontecer e ficará pior”, frisou Kay Marsh, que trabalha para uma instituição de caridade ‘Samphire’, em Dover, a porta de entrada da Grã-Bretanha para a Europa. “Os impedimentos não estão a funcionar.”

Na última década, centenas de milhares de migrantes entraram na Europa Ocidental com a ajuda de contrabandistas, fugindo de conflitos, perseguições e pobreza em viagens épicas do Iraque, Síria, Afeganistão, Iémen, Sudão e outros lugares.

França e Grã-Bretanha trocaram acusações na passada quarta-feira, após o pior acidente do tipo registrado no Canal da Mancha. Mas poucas horas depois dos afogamentos, cerca de 40 migrantes conseguiram chegar a Dover, para serem levados em um ónibus vermelho de dois andares pelas forças britânicas na fronteira. Nem o perigo da travessia nem os cerca de 2.500 dólares por pessoa que as instituições de caridade dizem que os contrabandistas cobram parecem detê-los.

Os ativistas dizem que a Grã-Bretanha deve permitir que os pedidos de asilo sejam feitos de fora do país. “Precisamos dar às pessoas a opção de pedir asilo antes de chegar à costa britânica: um centro de processamento no norte da França onde as pessoas podem fazer seu pedido de asilo sem ter de fazer a travessia e as pessoas com um pedido legítimo de asilo podem ser trazidas aqui com segurança”, referiu Marsh.

Até o momento, neste ano, 25.776 migrantes já terão atravessado o Canal da Mancha ilegalmente, contra 8.461 em 2020 e 1.835 em 2019, de acordo com registos compilados pela BBC usando dados do Ministério do Interior.

Enver Solomon, chefe-executivo da instituição de caridade Conselho de Refugiados, lembrou: “O governo precisa procurar fornecer o que chamamos de rotas seguras, maneiras seguras de as pessoas em busca de segurança chegarem ao Reino Unido.” Uma proposta que não merece aceitação por parte do Governo britânico. O porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson disse que isso apenas encorajaria mais pessoas a embarcar em viagens perigosas: “Precisamos lidar com a migração ilegal rio acima – e antes que as pessoas cheguem à costa francesa.”

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