Cada ponto é um pedófilo: ‘mapa do horror’ aponta crescimento assustador da pornografia infantil online

O Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), organização privada sem fins lucrativos estabelecida em 1984 pelo Congresso dos Estados Unidos, deixou o alerta: o tráfego de material pedófilo na Internet está a disparar. Em 2022, houve 29,3 milhões de denúncias relacionadas com material pedófilo e suspeitas de exploração sexual infantil. Se compararmos com 2021, quando foram registados 21,75 milhões, estamos perante um crescimento exponencial.

Segundo a Child Rescue Coalition, cada ponto do mapa representa um computador que partilhou pornografia infantil.

Segundo dados da British Internet Watch Foundation, o conteúdo criado pelas próprias crianças cresceu estonteantes 374%, efeito da pandemia da Covid-19, que deixou milhões de crianças online durante horas e sem controlo. A veículo principal? As redes sociais.

Atente-se aos números: 3 mil avisos em 1998 para 29,3 milhões em 2022. Mais: a suspeita de incitação online de crianças a gerar material pornográfico aumentou 63,31%, o contacto com menores com práticas como sexting, sextortion ou aliciamento cresceu 98,66%.

A pandemia deixou uma dupla herança: uma sociedade mais digitalizada mas também maior exposição a perigos que a maioria das pessoas ignora. Ao todo, segundo revelou o ‘New York Times’, foram 45 milhões de fotos e vídeos de abuso sexual infantil que as empresas de tecnologia identificaram nas suas plataformas em 2019.

“O fenómeno é tão grave e está tão disseminado que a dura realidade é que estamos sobrecarregados há muito tempo”, reconheceu, ao jornal espanhol ‘ABC’, o tenente-coronel Juan Antonio Rodríguez Álvarez de Sotomayor, chefe do Departamento de Crimes Telemáticos da Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil.

O problema é que a deteção deste material está a tornar-se mais difícil. “Antes, ninguém tomava precauções. Agora quase tudo é criptografado, são usadas máquinas virtuais, navegam de forma anónima, pagam em criptomoedas. Tornaram-se sofisticados, o que tornou as investigações cada vez mais complexas”, revelou o responsável.

A International Child Sexual Exploitation (ICSE) é uma base de dados da Interpol que recolhe o material inédito detetado por polícias de todo o mundo. Criado em 2001, o ICSE armazena milhões de imagens e vídeos de casos ainda não solucionados e sua existência já permitiu o resgate de 31 mil vítimas em todo o mundo. “Todo o cibercrime tem cifras negras muito altas, mas nenhuma supera a da pornografia infantil porque 99% dos casos não são denunciados”, precisou. “A maioria das crianças e, portanto, os seus pais, não sabem que são vítimas de um crime. Até prendermos o sujeito e vermos que ele tem material de 200 ou 300 menores, não sabemos o verdadeiro alcance de suas atividades.”

As redes sociais têm um papel importante – muitas plataformas possuem ferramentas para interromper essa transferência de arquivos mas não as utilizam adequadamente. E, se o fazem, não cooperam o suficiente com as autoridades. O gigante Meta é o grande filtro nesse sentido. O Facebook, sozinho, responde por 75% das reclamações recebidas pelo NCMEC, mas adicionando Instagram e WhatsApp à equação, a empresa de Mark Zuckerberg chega a 92% das reclamações.

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