Cabaz alimentar quase 24 euros mais caro desde o início da guerra: salmão e óleo alimentar vegetal subiram mais de 50%

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de fevereiro, o preço do cabaz de bens alimentares essenciais subiu 23,58 euros (12,84%), de acordo com dados lançados esta sexta-feira pela DECO Proteste – na semana de 4 e 11 de maio, foi registado um aumento de 1,21 euros, passando a custar um total de 207,21 euros.

Houve alimentos que se ‘destacaram’ na subida dos preços desde o início do conflito: salmão (mais 55%), óleo alimentar 100% vegetal (mais 52%), pescada fresca (mais 47%), frango (mais 28%), farinha para bolos (mais 27%), tomate (mais 24%), bife de peru (mais 20%), a dourada e as costeletas de porco (mais 18%) e as laranjas (mais 17%).

A DECO Proteste tem monitorizado, desde fevereiro, às quartas-feiras (com base nos preços recolhidos no dia anterior), os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais – bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Esta análise tem revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra. Entre 4 e 11 de maio, os dez produtos que registaram as maiores subidas de preço foram as ervilhas ultracongeladas (mais 15%), o atum posta em óleo vegetal (mais 12%), os flocos de cereais e os cereais integrais (ambos custam mais 9%), os iogurtes líquidos (mais 8%), o alho e o robalo (ambos com um aumento de 7%), o fiambre da perna (mais 6%), e o bacalhau e a dourada (com uma subida de 4%). Se analisarmos exclusivamente as categorias de produto com maiores subidas de preços entre 23 de fevereiro e esta semana, o peixe e a carne são as que mais se destacam, com incrementos percentuais de 22,47% e 14,82%, respetivamente.

Portugal, segundo a DECO Proteste, está altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno. Atualmente, estes representam apenas 3,5% da produção agrícola nacional — sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%). E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o país a importar cerca de 80% dos cereais que consome.

A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um sector há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks. Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor, nomeadamente em produtos como os combustíveis e a alimentação, estão a contribuir para um aumento da taxa de inflação. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação acelerou para 7,2% em abril deste ano, 1,9 pontos percentuais em relação a março, mês em que a inflação já tinha atingindo os 5,3%.

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