Bancos europeus ganham milhões com desflorestação, aponta novo relatório

HSBC, BNP Paris e Deutsche Bank são alguns dos bancos europeus que investem milhões de euros em empresas envolvidas na desflorestação, mostra uma nova investigação citada pelo ‘Euronews’.

Os principais financiadores do Reino Unido, UE, EUA e China arrecadaram juntos cerca de 15 mil milhões de euros em acordos com agronegócios, desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015, revelou a Global Witness.

Isto apesar de esses bancos terem as suas próprias políticas ambientais e de direitos humanos, que a ONG afirma agora serem ilusórias, demonstrando a necessidade de responsabilização externa.

Os investigadores analisaram mais de 70 mil acordos de ações, títulos, crédito e subscrição estabelecidos entre financiadores e 20 das piores empresas de agronegócio entre 2016 e 2020.

Todas essas empresas reportaram ligações com a destruição de florestas tropicais e abusos de direitos humanos associados no sudeste da Ásia, África Central e Ocidental e Brasil.

O banco de investimentos JPMorgan, com sede em Nova Iorque, ganhou 48,9 milhões de euros em negócios com empresas que fomentaram a destruição da floresta tropical nos últimos cinco anos, colocando-o no topo da lista.

O HSBC é o segundo maior banco privado no conjunto de dados da Global Witness e o pior infrator no Reino Unido, apesar de ter feito um compromisso público de parar de financiar empresas acusadas de desflorestação, em 2017.

Forneceu  62,3 mil milhões de euros em financiamento para alguns dos piores causadores de desflorestação do mundo, provavelmente ganhando mais de 34 milhões de euros.

Já o maior banco da França, BNP Paribas, pode ter gerado mais de 32,9 milhões de euros em receitas do agronegócio com risco de desflorestação, enquanto o Deutsche Bank pode ter ganho cerca de 12,4 milhões de euros.

Com a UE preparada para anunciar uma nova lei para combater a desflorestação, no próximo mês, os ativistas estão a pedir à Comissão que cubra também as instituições financeiras.

“Não há exemplo mais marcante de injustiça climática do que [os bancos ocidentais] arrecadarem somas de pôr lágrimas nos olhos, enquanto financiam a destruição de terras, casas e meios de subsistência de comunidades que protegeram as suas florestas há gerações”, disse Shona Hawkes, consultor de políticas para florestas da Global Witness.

O responsável acrescenta ainda: “Os bancos estão a promover as suas credenciais verdes com brilhantes políticas e compromissos voluntários, mas as nossas descobertas destacam que isso representa pouco mais do que pura lavagem verde.”

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