“Aventura criminosa”: guerra na Ucrânia alimenta a fuga de cérebros da Rússia

A Rússia já viu sair, segundo as estatísticas oficiais, quase quatro milhões de cidadãos nos primeiros três meses de 2022. “Tínhamos muito medo de sermos questionários na fronteira com a Rússia pois ouvimos que não estavam a deixar sair do país especialistas de IT, pelo que apagámos as apps de mensagens nos telemóveis”, referiu Marina, profissional de IT de 25 anos que saiu de Moscovo com o namorado para o Chipre, em declarações à ‘Al Jazeera’.

“Mas no aeroporto de Vnukovo, não nos perguntaram nada, exceto a quantidade de dinheiro que estávamos a carregar”, acrescentou. Embora alguns tenham planeado viajar por motivos pessoais ou de trabalho após o relaxamento das restrições da Covid-19, um número substancial desta ‘fuga’ parece estar relacionado com a invasão da Ucrânia, sanções ou medo de recrutamento e lei marcial. Entre alguns estão algumas das melhores e mais brilhantes mentes da Rússia.

“Na minha opinião, esta é uma aventura criminosa que ocorreu porque neste país, todas as decisões mais importantes são tomadas por uma pessoa completamente fora de contacto com a realidade”, observou Artur, de 32 anos, oriundo de São Petersburgo e ‘developer’ de software e instrutor online que está agora na Alemanha, referindo-se ao presidente Vladimir Putin.

Em março último, Sergei Plugotarenko, chefe da Associação Russa de Comunicações Eletrónicas, um grupo sem fins lucrativos, disse a um comité parlamentar que cerca de 70 mil profissionais de IT emigraram desde o início da “operação militar especial” na Ucrânia – muitos dos quais mais jovens são relativamente abastados, experientes em tecnologia e podem trabalhar de forma remota.



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