As vacinas de reforço contra a covid-19 serão o novo normal?

Um estudo publicado recentemente na revista científica ‘Nature’, conduzido por uma vasta equipa de investigadores da Grã-Bretanha e Singapura, indicou que a imunidade à Covid-19 pode não ser apenas uma questão de anticorpos disponíveis para combater o vírus.

Durante vários meses, os cientistas monitorizaram profissionais de saúde que haviam sido potencialmente expostos ao vírus mas não ficaram reconhecidamente doentes com a Covid-19 e nunca testaram positivo. Os testes sorológicos de anticorpos também não mostraram resultados notáveis. No entanto, chamou à atenção dos especialistas que os 58 profissionais de saúde soronegativos tinham mais células T de memória multiespecíficas do que um grupo comparativo cuja exposição potencial ao vírus era muito menor.

As células T foram direcionadas em particular contra o complexo de transcrição de replicação (TRC), o mesmo complexo que efetivamente espalha o vírus no organismo. O estudo revelou que as células T do grupo tinham uma quantidade maior de IFI27, uma proteína que é “uma assinatura inata robusta do SARS-CoV-2, o que permitiu a conclusão de que era uma sugestão de uma “infeção abortiva”.

Ou seja, as células T, aponta o estudo, possivelmente interromperam a infeção no início. No entanto, a grande questão é onde os 58 profissionais de saúde em questão obtiveram essa imunidade de células T incomumente alta.

Uma possível conclusão poderia ser que a exposição repetida às várias variantes do coronavírus, como o SARS-CoV-2 – caso se torne endémico e as pessoas entrem em contacto frequente com um pequeno número de patógenos – pode fazer com que o sistema imunológico seja mais capaz de lidar, com anticorpos ou células T, o que significaria um passo mais perto da imunidade coletiva.

A conclusão parece indicar que as futuras vacinas contra a Covid-19 terão de ser ajustadas para proteger eficazmente contra novas variantes do coronavírus, da mesma forma que as vacinas da gripe são ajustadas. Atualmente, já estão a ser desenvolvidas vacinas para proteção de mutações da variante Delta.

Por enquanto, as injeções de reforço da Covid-19 são necessárias porque o número de anticorpos no sangue diminui com o tempo. Com as vacinas de mRNA, a eficácia parece começar a diminuir após seis meses de as pessoas recebem uma segunda dose. Ou seja, as vacinas de reforço serão um ‘mal necessário’ até ao desenvolvimento de novas vacinas que ofereçam uma proteção mais transversal à Covid-19.

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