Ártico: Rápido degelo do permafrost pode libertar lixo radioativo, bactérias resistentes e novos vírus, alerta novo estudo

O rápido degelo do permafrost ártico pode libertar lixo radioativo de submarinos nucleares da Guerra Fria, bactérias resistentes a antibióticos e novos vírus, segundo apontou um relatório ‘Writing in Nature Climate Change’, publicado recentemente.

Entre 1955 e 1990, a União Soviética conduziu 130 testes de armas nucleares no arquipélago Novaya Zemlya, na costa noroeste da Rússia, testes esses que libertaram cerca de 265 megatons de energia nuclear. Foram também afundados nos mares de Kara e Barents mais de 100 submarinos nucleares entretanto desativados. Além disso, a instalação de um centro de pesquisa sob o gelo com energia nuclear, conhecida como ‘Camp Century’, por parte dos Estados Unidos, na Gronelândia, também produziu “considerável lixo nuclear e diesel”.

À parte disso, o permafrost profundo com mais de três metros é um dos poucos ambientes na Terra que não foi exposto aos antibióticos modernos – mais de 100 microrganismos diversos no permafrost profundo da Sibéria foram considerados resistentes a antibióticos e, conforme o degelo, há potencial para que as bactérias se misturem com a água do degelo e criem novas bactérias resistentes a antibióticos.

“As mudanças no clima e na ecologia do Ártico vão influenciar todas as partes do planeta, uma vez que realimenta o carbono na atmosfera e eleva o nível do mar. Este estudo identifica como outros riscos podem surgir do aquecimento do Ártico”, explicou Arwyn Edwards, da Aberystwyth University e coautor do relatório.

“Há muito tempo que é um depósito para uma variedade de coisas prejudiciais, não apenas gases de efeito estufa. Precisamos entender mais sobre o destino desses micróbios, poluentes nocivos e materiais nucleares para compreender adequadamente as ameaças que eles podem representar”, explicou. “Essas são novas implicações, além do que sabíamos que aconteceria se o permafrost continuasse a derreter. O que deve nos preocupar é o quanto ainda temos de aprender sobre o Ártico, como ele é importante para todos os nossos futuros e por que vale a pena protegê-lo.”

O permafrost, ou terra permanentemente congelada, cobre cerca de nove milhões de milhas quadradas e a maior parte do permafrost ártico data de cerca de um milhão de anos. Além de micróbios, abriga uma grande variedade de compostos químicos ao longo de milénios, seja através de processos naturais, acidentes ou armazenamento deliberado. No entanto, até dois terços do permafrost próximo à superfície do Ártico podem ser perdidos até 2100 devido às mudanças climáticas, afirmou o relatório.

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