Apicultores querem proibição imediata de herbicida para proteger sector que atravessa pior colheira de sempre

Os apicultores franceses exigem ao Governo a proibição total do segundo herbicida mais usado, o profulscarbe, para proteger o sector da apicultura, que vai atravessar a pior colheita de mel até ao momento, segundo apontam diversos relatórios.

O ano desastroso do sector, com uma colheita de mel três vezes menor do que em 2020, foi atribuído principalmente às mudanças climáticas.

No final de setembro último, uma iniciativa de cidadania europeia intitulada “Salve as abelhas e os agricultores” havia recolhido mais de 1,2 milhões de assinaturas. Essa iniciativa prevê uma redução de 80% no uso de pesticidas sintéticos até 2030 e de 100% até 2035.

O uso de pesticidas tem provocado tensões na agricultura francesa, com a aplicação generalizada do prosulfocarbe (o segundo herbicida mais usado na França depois do glifosato) e dos neonicotinoides (inseticidas proibidos na França em 2018 e depois reautorizados no ano passado como parte da crise de icterícia que afeta a indústria de beterraba).

O prosulfocarbe contaminou 14 colheitas de trigo sarraceno, num valor estimado de 80 mil euros, no ano passado mas o início da pulverização este outono já provocou fortes reações no sector da agricultura orgânica dado que este herbicida é um dos agrotóxicos mais presentes no ar, tanto na frequência e concentração como também é extremamente volátil, de acordo com um comunicado conjunto da Federação Nacional da Agricultura Orgânica, da Forébio (federação de produtos puramente orgânicos) e a ONG Générations Futures.

A cada ano que passa uma série de colheitas que não são pulverizadas com prosulfocarbe são contaminadas. Por exemplo, em 2020, os resíduos encontrados em culturas orgânicas ultrapassaram os níveis máximos autorizados em 100 vezes, apontaram as organizações.

As três organizações solicitaram por isso a proibição “imediata e temporária” dos produtos à base de prosulfocarbe. Liam English, chefe de comunicações da Syngenta Crop Protection para a Europa, Oriente Médio e África, a empresa que produz o prosulfocarbe, afirmou que “toda a indústria está empenhada em promover e proteger a saúde das abelhas e garantir a segurança ambiental, uso eficiente e direcionado de pesticidas apenas quando necessário”.

“Em França, trabalhamos com os agricultores para garantir o uso seguro, proporcional e eficaz para proteger os ecossistemas e manter a produção de alimentos”, afirmou English à EURACTIV, afirmando que “até onde sabemos, não há nenhuma preocupação específica com as abelhas relacionadas ao uso de prosulfocarbe”.

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