Alterações climáticas: solo no Ártico “está a desmoronar-se” devido ao aumento das temperaturas

O derretimento do Ártico tem motivado diversos alertas dos cientistas, que pode conduzir o planeta a um ciclo vicioso de aquecimento descontrolado, à medida que vastas reservas de carbono ficam libertas como resultado do degelo do solo. O permafrost – solo que fica congelado por dois ou mais anos consecutivos – tem mantido plantas mortas e material animal presos sobre a tundra. Esses vestígios antigos, segundo os especialistas, apontam a cerca de 1.600 mil milhões de toneladas de carbono orgânico, quase o dobro do que se encontra atualmente na atmosfera terrestre.

Com uma dimensão que atinge um quarto do hemisfério norte, esta abóboda está a ser descongelada pelo aumento das temperaturas, o que tem transformado o Ártico numa fonte de emissão de gases de efeito estufa. Entre esses gases, o metano, 34 vezes mais potente do que do dióxido de carbono (CO2) na retenção de calor na atmosfera da Terra durante um século, mas também o óxido nitroso, cujo potencial de aquecimento é cerca de 300 vezes maior do que o CO2 num período de 100 anos.

“É provável que isso acelere devido à escala do aquecimento que estamos vendo no Ártico”, disse, num reportagem conduzida pela ‘Al Jazeera’, Rachael Treharne, ecologista ártica do Woodwell Climate Research Center, que estuda o impacto do degelo do permafrost e dos incêndios florestais nas mudanças climáticas. O Ártico já aqueceu a mais de 2 graus (3,8F) acima de sua média pré-industrial, com temperaturas que tendem a aumentar ainda mais. “Estamos a ver uma crise humanitária”, apontou Treharne. “O chão está literalmente a desmoronar-se aos nossos pés. Estamos a subestimar a urgência do que precisamos fazer. ”

Isso está a criar um ciclo perigoso – aquele em que as atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e a pecuária, aquecem a atmosfera, fazendo com que o permafrost derreta e libere gases de efeito estufa adicionais. “Podemos controlar mais ou menos a queima de combustíveis fósseis por meio de decisões políticas e regulamentações económicas”, afirmou Dmitry Zastrozhnov, professor e geólogo do Instituto de Ciências da Terra da Universidade Estadual de São Petersburgo, que estuda a libertação de metano das áreas de calcário da Sibéria. “Mas não podemos pedir ao permafrost que pare de liberar metano. Não podemos controlar a natureza.”



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