Afeganistão: polícia religiosa ameaça disparar sobre mulheres que trabalham em ONG e que não estejam de burca

A polícia religiosa dos taliban ameaçou disparar sobre mulheres que trabalham em ONG (organizações não governamentais) num província do noroeste do Afeganistão se não usarem burca, segundo acusaram diversos funcionários à ‘AFP’. Os direitos dos afegãos – particularmente mulheres e crianças – têm sido cada vez mais restringidos desde que os taliban voltaram ao poder em agosto último, depois de derrubar o Governo apoiado pelos EUA.

Dois trabalhadores de ONG internacionais na província rural de Badghis garantiram que a filial local do temido Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício reuniu-se com grupos humanitários no último domingo. “Disseram-nos que se as funcionárias vierem ao escritório sem usar a burca ele ia disparar”, acusou uma das funcionárias, que não quis ser identificada por razões de segurança. As mulheres também devem ser acompanhadas para trabalhar por um responsável do sexo masculino, acrescentou.

Uma segunda fonte de ONG confirmou as ameaças. “Disseram também que vão começar a surgir nos escritórios sem aviso prévio para verificar se as regras estão a ser cumpridas”, frisou.

As mulheres estão a ser expulsas expulsas da vida pública e em grande parte barradas de empregos no Governo, enquanto a maioria das escolas secundárias para raparigas está fechada.

Em Cabul, no início deste mês, foram colocados cartazes em cafés e lojas a ordenar que as mulheres afegãs se cobrissem, ilustrados com uma imagem da burca. As mulheres estão proibidas de aparecer em dramas de televisão e devem ser acompanhadas por um guardião masculino em viagens entre vilas e cidades.



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