Acumulação chinesa faz disparar preços dos alimentos no mundo

Os últimos meses foram marcados pelo aumento massivo do preço dos alimentos, que em alguns casos, registaram o valor mais alto dos últimos 10 anos, facto que gerou preocupação mundial. Segundo a Bloomberg, a “culpa” não é apenas de fatores externos como falhas na cadeia de abastecimento, escassez de mão-de-obra, intempéries, aumento da procura, entre outras causas, mas também da acumulação de commodities [produtos básicos globais não industrializados, matérias-primas] por parte da China.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em meados de 2022, a China terá 69% das reservas mundiais de milho, 60% do seu arroz e 51% do seu trigo. O próprio governo chinês estima que as suas reservas estejam a um “nível historicamente alto” e que esse facto influencie a subida de preços mundialmente.

Este comportamento de acumulador prende-se com o facto de a China não querer ficar dependente de países exportadores de alimentos como é o caso dos Estados Unidos e querer garantir as suas reservas alimentares caso haja alguma situação anormal. Recorde-se que, por exemplo, por causa da pandemia Covid-19 e consequente falta de mão de obra, verificaram-se importantes atrasos nas trocas comerciais mundiais.

Mas no caso da China, onde a fome já foi intensamente presente, este efeito acumulador tem já tradição e acontece há milhares de anos. Recorde-se que em 2013, quando o presidente  Xi Jinping chegou ao poder desenvolveu uma campanha nacional que alertava a população para a importância de não se desperdiçar comida. Em 2020 foi mesmo lançada a campanha “prato limpo” de forma a manter presente esta necessidade de estar atento ao desperdício alimentar e às possíveis crises alimentares. Não é só o não desperdiçar mas também o armazenar para que, em caso de necessidade, não se fique à mercê de terceiros. Ainda recentemente, numa reunião de altas figuras do Partido Comunista, o presidente chinês relembrou esse facto: “A comida do povo chinês deve ser feita e permanecer nas mãos do povo chinês”, afirmou Xi Jinping.

Segundo a Bloomberg, não é conhecida a quantidade nem o  conteúdo do stocks de commodities armazenados pela China. No entanto, ainda no último mês de novembro, as autoridades agrícolas anunciaram que a China tinha, por exemplo, stock de trigo suficiente para 18 meses.

Mas também é verdade que esta política de armazenamento de matéria prima alimentar não é uma prática exclusiva da China e que outros países também a praticam, mas não esta dimensão.

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