A Covid-19 não terminou: subvariantes da Ómicron estão a espalhar-se e há umas de particular preocupação

Se se tem esforçado para acompanhar as últimas variantes da Covid-19 que circulam pelo mundo, não está sozinho. Dois anos após o início da pandemia, ouvimos falar já das variantes Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron, mas felizmente ainda não surgiu uma nova letra grega este ano. Em vez disso, uma sequência de ‘sublinhagens’ – ou subvariantes – apareceram da Ómicron, apresentando mutações na proteína spike que permite que os vírus infetem as células – a BA.1, BA.2, BA.3, BA.4 e BA.5. Mas também existem as formas recombinantes que misturam várias subvariantes da Ómicron, como a XE, uma mistura de BA.1 e BA.2.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) garantiu estar a acompanhar de perto todas as variações do SARS-CoV-2 – o vírus original que causa a Covid-19 – e espera que surjam mais no futuro. Isto porque o vírus “está a circular num nível muito intenso”, revelou Maria van Kerkhove, epidemiologista de doenças infeciosas e líder técnica da resposta da OMS à Covid-19, a 10 de maio último. “O que podemos dizer é que à medida que esse vírus evolui, as variantes mais recentes que temos, as variantes Ómicron e todas as sublinhagens são mais transmissíveis do que a última variante que está a circular, e sabemos que isso vai continuar”, explicou.

Em todo o mundo, a subvariante Ómicron predominante no momento é BA.2, que está a espalhar-se mais rapidamente do que a BA.1 Ainda mais transmissíveis do que BA.1 e BA.2, ou a menos comentada BA.3, são as subvariantes BA.4 e BA.5.

A BA.4 e BA.5 foram detetadas pela primeira vez na África do Sul em janeiro e fevereiro de 2022, respetivamente, e desde então tornaram-se as variantes dominantes. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) classificou a BA.4 e BA.5 como “variantes preocupantes” devido à sua rápida disseminação, nomeadamente em Portugal.

A 8 de maio último, o Instituto Nacional de Saúde português (INSA) estimou que o BA.5 representava cerca de 37% dos casos positivos da Covid-19 e que a sua taxa de crescimento diário de 13% iria torná-la a variante dominante em apenas duas semanas.

O ECDC apontou que a BA.4 e BA.5 “podem causar um aumento geral significativo nos casos da Covid-19 na União Europeia nas próximas semanas e meses” e em breve vão tornar-se as variantes dominantes na região. “A vantagem do crescimento atualmente observada para a BA.4 e BA.5 é provavelmente devido à sua capacidade de evitar a proteção imunológica induzida por infeção e/ou vacinação prévia, principalmente se isso diminuiu com o tempo”, disse a agência – estudos apontam, após análise ao sangue de indivíduos não vacinados previamente infetados com a BA.1 que tanto a BA.4 e BA.5 são capazes de escapar à proteção imunológica induzida por essa infeção anterior pela BA.1.

“As vacinas estão a resistir muito bem a doenças graves e morte, por isso é absolutamente crítico que as pessoas sejam vacinadas”, referiu Van Kerkhove. A OMS estabeleceu uma meta de vacinas a atingir 70% de todas as pessoas em todos os países até junho e está especialmente preocupada em vacinar todos os profissionais de saúde e trabalhadores da linha de frente, bem como pessoas com mais de 60 anos ou com condições subjacentes, pois são mais vulneráveis ​​a casos graves da Covid-19.

Tanto a OMS como o ECDC têm pedido às autoridades nacionais de saúde que permaneçam vigilantes e continuem a testar a população, assim como a proceder ao sequenciamento genómico de amostras para continuar a rastrear a disseminação de variantes e assim poder influenciar os internamentos hospitalares. A BA.4 e BA.5 foram relatados em cerca de 15 países até agora mas apenas algumas centenas de sequências de cada estão disponíveis globalmente, disse a OMS. “A nossa capacidade de detetar está a ser substancialmente prejudicada porque as taxas de testes caíram e, ao fazê-lo, as nossas taxas de sequenciamento também caíram”, referiu Van Kerkhove.

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