125 milhões de veículos elétricos em 2030

Esta é a previsão da “International Energy Agency” (IEA) revelada há um par de dias. Este organismo é composto por trinta países membros e tem como guias da sua atividade quatro grandes áreas: energia segura, desenvolvimento económico, consciencialização para o ambiente e engajamento mundial para um ambiente melhor.

Segundo um estudo feito pela IEA, serão 125 milhões de veículo elétricos a circular nas estradas de todo o Mundo, seguindo uma trajetória que tem sido de forte crescimento, como revelam os números de 2017: aumento de 54% dos veículos elétricos para 3,1 milhões de unidades. Ainda segundo o mesmo estudo, as políticas ambientais dos diversos governos serão o eixo principal para a adoção pelas sociedades do veículo elétrico.

Olhando com atenção para as conclusões, percebemos que daqui por duas décadas, existirão carros elétricos a circular para cada um dos habitantes do Japão, o 11º país com mais população da Terra. Um número que faz pensar, principalmente que entende que o futuro não passa pelos modelos elétricos.

A verdade é que, segundo a IEA, graças ás políticas agressivas dos diversos governos, contra a utilização de veículos com motor de combustão interna, a escolha da mobilidade elétrica para frotas camarárias ou de empresas de distribuição, a “explosão” do automóvel elétrico permitirá que 125 milhões de veículos estejam a circular daqui a uma dúzia de anos.

O que, admitimos, será um enorme salto face às vendas apuradas em 2017 que, segundo a estimativa da IEA foi de 3,1 milhões de unidades, um crescimento de 54%. Estas perspetivas lançadas pelo estudo da IEA não acabam com a utilização de veículos que utilizam combustíveis fósseis. A mesma organização acredita que entre 2030 e 2040, estarão a circular em todo o Mundo qualquer coisa como 2 mil milhões de veículos. Portanto, por volta de 2030, 86 por cento dos veículos a rolar utilizarão combustíveis fósseis.

A IEA, ainda assim, refere que depois de 2030 podermos ter o caminho pavimentado para passar pelas 220 milhões de unidade de veículos elétricos e cerca de meio milhão em 2040. Para isso vão contribuir as mais ou menos agressivas campanhas para a defesa do ambiente, feitas pelos Governos mundiais e pelo apertar da malha no que toca às emissões de gases poluentes. Claro que tudo passará, também, pela diminuição dos custos com as baterias e pelo direcionar dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. E isso será importante, pois a BMW anunciou que os seus lucros operacionais recuaram mais de 6% devido, exatamente, ao investimento nos híbridos e nos veículos elétricos.

“A aceitação dos veículos elétricos ainda é, em grande parte, impulsionada pelo ambiente político e pelos incentivos fiscais” refere o estudo da IEA, acrescentando que “os 10 principais países a aderir à mobilidade elétrica têm uma série de politicas agressivas para promover a compra destes veículos.” E aqui é que o estudo da IEA parece entrar em contradição com o que tem acontecido. Países que anunciaram o fim das benesses fiscais para os veículos elétricos, assistiram a uma forte quebra nas vendas. Ora, assim sendo, e com a perspetiva de mais países “fecharem a torneira” do apoio discal á compra de modelos elétricos e com a, inevitável, escalada dos preços da eletricidade para consumo rodoviário, como será possível chegar ás 125 milhões de unidades vendidas em 2030?

Claro que muitos dizem que países como a China e a Europa comunitária, vão continuar a oferecer benesses fiscais e preços baixos da eletricidade e por isso, até 2030, ou seja, daqui a 12 anos, pouco será alterado. Além disso, o apertar da malha nos limites de emissões também poderá originar a fuga para os modelos elétricos. Mas… será que os Governos vão deixar de colocar a mão nas taxas da eletricidade para consumo rodoviário e apercebendo-se do aumento gritante das vendas, resistir á tentação de criar taxas para forrar os bolsos?

A introdução da condução autónoma poderá dar uma ajuda, mas nunca antes de meio do século. Já a redução dos custos de utilização de um veículo elétrico com condução autónoma para baixo do euro por quilómetros, poderia ser interessante, mas fica sempre a dúvida se os Governos não vão “meter” a mão para faturar mais nos impostos. É que custos abaixo de um euro por quilómetros, tornaria o veículo elétrico a escolha óbvia, pois seria um valor abaixo do que conseguem os veículos com motor de combustão interna. Já agora, dizer que os custos das baterias poderão descer drasticamente na próxima dezena de anos, dos atuais 129 euros por kWh para perto de 68 euros. Uma redução assinalável já quem em 2010, cada kWh de uma bateria custava nada menos que 559 euros!

O estudo da IEA abordou, também, as diferenças culturais e apurou que países como a China, França e a Holanda, preferem veículos puramente elétricos, enquanto que nações como Japão, Suécia ou o Reino Unido, preferem os modelos híbridos “Plug-In”.

Para já, temos um mercado que encarrilou rumo aos modelos elétricos. Na China, a venda destes veículos subiu 72% para 580 mil unidades em 2017, colocando a fasquia de utilizadores de modelos movidos a eletricidade em 1 milhão. E até já estão a investir em autocarros e motos elétricos. Nos Estados Unidos, a expansão elétrica anda a duas velocidades: uma, de rápida penetração, na Califórnia – que até já recebe os veículos a hidrogénio – e em outros Estados norte americanos, outra que está a ser mais lenta devido à ação de Donald Trump, cujos impostos sobre os combustíveis fósseis foram diminuídos e os níveis de emissões vão ser alargados por ordem do presidente. No Velho Continente, a Alemanha quase duplicou as vendas de modelos elétricos, tendo revelado a melhor performance neste particular, embora seja a Noruega a campeã de vendas com 39% do total de vendas apuradas em 2017 a serem de veículos elétricos. Contas feitas, 6,4% do parque automóvel norueguês é elétrico. Fica assim quantificada a liderança da Noruega em ambas as categorias, no Velho Continente.

Porém, há um dado que faz pensar: apesar da liderança da Noruega, o mercado norueguês foi o único que viu as vendas de veículos elétricos recuarem entre 2013 e 2017. Porquê? Porque o Governo da Noruega alterou os benefícios fiscais, alterou a forma como em termos de impostos os carros de serviço são usados de forma privada e acabou com os incentivos à compra de híbridos “Plug-In”. Fica evidente que o crescimento das vendas de modelos elétricos e a sua progressão em termos de vendas, estará indexado às politicas de mobilidades dos Estados. Não será uma péssima ideia investir milhares de milhões numa tecnologia e, depois, ficar refém dos Governos que, como se sabe, são tudo menos fiáveis?



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