Sobreviver a uma explosão nuclear? Estudo indica as melhores hipóteses de sucesso se estiver em casa

Felizmente, existem muito poucas pessoas que podem dar um relato de uma explosão nuclear. Há quem prefira simular para avaliar as consequências e outros, como os autores de um estudo recente, que preferem colocar-se no pior cenário e avaliar como sobreviver a uma explosão nuclear.

À semelhança da velha máxima do mercado imobiliário, que destaca a localização como ponto essencial, em caso de uma explosão nuclear é utilizado o mesmo mantra: a localização é tudo. Se estivermos num raio de um quilómetro, as hipóteses de sobrevivência são virtualmente nulas. É neste ‘virtual’ que fez os autores do estudo – Dimitris Drikakis e Ioannis Kokkinakis, da Universidade de Nicósia (Chipre) – simular a explosão de uma bomba nuclear para ver como afetaria as pessoas que se refugiam. Mas não qualquer bomba: uma ogiva nuclear de 750 quilotons detonada a três quilómetros de altitude, lançada por um míssil balístico intercontinental.

“As armas nucleares táticas variam de entre 5 a 15 quilotons (kT)”, observaram os autores. “No presente estudo, porém, optámos por uma ogiva atómica de 750 kT, por corresponder a um cenário extremo, por exemplo, o RS-28 Sarmat (Satan II, da Rússia). Claro, esse cenário é impensável mas representa um cenário catastrófico devido à existência de tal ogiva e crescentes tensões geopolíticas”, escreveram os autores.

“Portanto, o nosso objetivo é alertar o mundo através de simulações científicas rigorosas sobre o impacto de tal cenário, principalmente na Zona de Dano Moderado (MDZ). Até onde sabemos, nenhum estudo anterior examinou o risco para os seres humanos causado por ventos de alta velocidade de explosões nucleares que entram em edifícios dentro da MDZ.

Segundo os autores, no cenário traçado, demoraria apenas 10 segundos para uma onda de choque se estender por quase 10 km com ventos acima dos 300 km/h. Ou seja, o dobro da velocidade dos túneis onde se pratica paraquedismo indoor. Neste cenário, a lógica indica que as hipóteses de sobrevivência seriam melhores dentro de um prédio sólido, uma teoria contestada pelos cientistas autores do estudo.

“Antes do nosso estudo, o perigo para as pessoas dentro de um edifício de concreto armado não era claro. O nosso estudo mostrou que altas velocidades continuam a ser um perigo considerável e ainda podem causar ferimentos graves ou até mesmo a morte”, pôde ler-se no estudo.

Esses ventos seriam responsáveis pela destruição de janelas e portas e ficam ainda mais fortes ao invadir corredores e espaços apertados, chegando aos 400 km/h. Mas há uma réstia de esperança: “Os pontos de acesso internos mais perigosos, que devem ser evitados, são janelas, corredores e portas”, relataram os autores. “As pessoas devem ficar longe desses lugares e abrigar-se imediatamente. Mesmo na sala de frente para a explosão, pode-se estar a salvo das altas velocidades do vento se se ficar num canto da parede de frente para a explosão.”

“O estudo revelou que a velocidade do ar por trás da onda de choque induz forças significativas em humanos dentro de casa. As forças mais potentes são experimentadas por um curto período de até meio segundo. A velocidade no ar por trás da onda de explosão acelera dentro de casa para velocidades ainda mais altas. Isso decorre da expansão das ondas de choque que entram no espaço através de uma abertura, como uma janela. Além disso, os efeitos de canalização podem acelerar ainda mais o ar nos corredores”, revelou o estudo.

“A força que atinge uma pessoa em pé dentro de casa é equivalente a várias forças g de aceleração da massa corporal e pode levantar uma pessoa do chão e atirá-la contra as paredes. Com uma sobrepressão de 3 psi, a aceleração pode chegar a 80 g, enquanto com 5 psi a aceleração ultrapassa 140 g. No entanto, existem áreas dentro das salas onde a velocidade no ar e as forças associadas são reduzidas”, finalizou.

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