Quase dois terços da população das cidades quer apenas automóveis limpos até 2030, revela estudo europeu

No Dia Nacional do Ar, que se assinala hoje, a associação Zero alerta para o papel de uma mobilidade sustentável, na medida em que o setor dos transportes, em particular o transporte rodoviário, é a principal causa de poluição do ar nos centros urbanos portugueses. 

Em comunicado, a associação fala de uma “adoção maciça por parte dos condutores privados e empresas” na Europa devido à pandemia, que trouxe para a ordem do dia o futuro do transporte individual para evitar os aglomerados em transportes coletivos. Por outro lado, a associação reconhece que “as políticas europeias na área da energia, clima e ambiente, em que a neutralidade climática até meio do século é central, têm forçado os decisores políticos, desde o nível autárquico ao nacional, a repensar o papel dos veículos movidos a combustíveis fósseis, em particular os movidos a gasóleo, com maiores emissões de óxidos de azoto”. 

“Como resultado”, continua a associação Zero, “neste momento há na Europa já dez países com planos para o fim do comércio de ligeiros de passageiros com motor de combustão, e uma série de cidades – incluindo Madrid, Paris, Amsterdão e Londres – que apenas permitirão automóveis sem emissões nos próximos anos. Alguns fabricantes de automóveis, em resposta, já se estão a alinhar com estas políticas, tenho anunciado o fim voluntario das suas produções de veículos a combustíveis fósseis”. 

Neste contexto, e com a Comissão Europeia a rever até ao Verão os regulamentos relativos à emissão de dióxido de carbono (CO2) dos automóveis, a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), que a Zero integra, organizou um estudo sobre a opinião dos europeus sobre estas políticas em 15 grandes cidades europeias (incluindo Madrid, Roma, Berlim, entre outras, embora nenhuma cidade portuguesa), em oito países. Algumas conclusões do estudo indicam que: 

 

  • Quase dois em cada três habitantes (63% em média, com resultados, dependendo, das cidades, que variam entre os 51 e 77%) apoia o fim da comercialização de veículos a combustão até 2030, sendo que após esta data apenas deverão poder ser vendidos na Europa automóveis livres de emissões; 
  • Dentro dos respondentes, os que tiveram covid-19 ou os com pessoas próximas que tiveram apoiam mais fortemente estas medidas (66% de apoiantes) que os restantes (56%); 
  • O preço dos automóveis elétricos (55%), a rede de carregamento (51%) e a sua autonomia (45%) são vistos como os fatores determinantes para impulsionar mais a compra de carros elétricos; 
  • Apenas um em cada dez respondentes acha que as vendas de automóveis elétricos não suplantarão no futuro os de automóveis a gasóleo e gasolina. 

 

Desconfinamento aumenta poluição do ar em Lisboa 

Noutra vertente, a Zero avaliou os dados de concentração de dióxido de azoto, um poluente associado ao tráfego automóvel, recolhidos na estação de monitorização da Avenida da Liberdade, em Lisboa, dos dias úteis das últimas semanas após 15 de março de 2021. Segundo a associação, verifica-se que a média dos valores das três primeiras semanas (33 ug/m3) está cerca de 20% abaixo do valor limite anual deste poluente (40 ug/m3), mas na semana passada, entre 5 e 9 de abril, já se atingiu precisamente uma concentração média de 40 ug/m3. 

A associação diz estar “seriamente preocupada com o regresso de ainda mais automóveis aos centros das cidades, em total contradição com os objetivos de salvaguarda da saúde pública, prioridade que se tornou ainda mais relevante no cotexto da pandemia de covid-19. 

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