Mercado de carros usados recupera face ao mês passado, mas ainda está abaixo de 2019 e 2020

O mercado de venda de automóveis usados está a recuperar ligeiramente, mas ainda regista uma quebra de menos 11% em julho face ao período homólogo de 2020 e de menos 17% em relação a 2019.

A transferência de propriedade, no período de janeiro a julho, registou uma quebra global de -15% comparativamente ao mesmo período de 2019, ainda assim ligeiramente melhor do que em 2020 (quebra de -16%), de acordo com o Barómetro do Mercado Automóvel de agosto divulgado pelo Standvirtual.

Verifica-se também uma subida de preço de 3% para o consumidor final em agosto, que resulta do aumento do preço para os próprios comerciantes (aumento de 16% de junho para julho).0

Existe uma diminuição de stock mais acentuada nos carros mais baratos, com uma quebra de anúncios de carros até 10 mil euros e entre os 10-20 mil euros, o que faz com que a oferta de carros acima de 20 mil euros tenha mais representatividade.

Relativamente ao mercado de novos (ligeiros e pesados), há uma quebra de -31,8% em agosto face a agosto de 2020, mas com um crescimento de 11,5% nos primeiros 8 meses do ano, em comparação com o mesmo período em 2020.

“Os comerciantes de automóveis tiveram uma evolução positiva e têm dado continuidade a esse bom desempenho. É importante não haver um retrocesso no investimento que fizeram na digitalização, até porque a exigência dos consumidores não sofreu nenhuma alteração, mas continua a evoluir”, disse Licínio Santos, Diretor Comercial da Cofidis Portugal.

Ao nível do crédito, “no processo de financiamento temos uma percentagem que ronda os 60% de operações de crédito que são full digital, desde os dados à assinatura”, referiu ainda o responsável.

Relativamente às moratórias e eventual entrada de carros no mercado por esse motivo, Licínio Santos menciona que é impossível prever, pois anteriormente também foram feitas previsões que depois foram influenciadas por sucessivos prolongamentos e regresso à estabilidade e ao emprego. “Neste momento os registos que temos por incumprimento estão em linha com o passado e com o período de pré-pandemia”, acrescentando ainda que “concedemos hoje mais financiamento do que no primeiro semestre de 2020”.

No período de reabertura após o confinamento deste ano, “tanto as organizações como os consumidores estavam mais preparados para a nova forma de fazer negócio”, acrescenta o Diretor Operacional da Cardan, Joaquim Silva. “Por isso, julho e agosto foram mais em linha com os meses anteriores do que no ano passado, no qual se registaram picos. Em agosto começámos a sentir os efeitos da falta de stock, efeito da crise dos semicondutores, que já teve efeito em algumas marcas do nosso portfolio”, explicou.

Sobre a retoma, refere que “é difícil dar cenários quando as perspetivas das marcas são diferentes. O que sabemos é que, até ao final do ano, serão meses conturbados em algumas marcas, mas outras ainda têm stock disponível, o que constitui para elas uma oportunidade, tal como para o mercado de usados”.

Segundo Miguel Ortigão, responsável de usados da AutoSueco, as dificuldades foram menos sentidas por esta entidade: “Nos primeiros oito meses conseguimos crescer nos seminovos (nós operamos sobretudo nos seminovos, com os programas de marca), e sabemos que vamos superar 2019 e 2020, que foram anos ótimos. Falando dos novos, beneficiamos de um bom momento das marcas que operamos e prevemos fazer um ano melhor que 2019”. Ao contrário do que acontecia antes, refere ainda que “neste momento os anúncios de novos que temos no Standvirtual são os com melhor performance em termos de contactos”.

Por fim, Pedro Soares, diretor comercial do Standvirtual, sublinha que agosto foi um mês de grande atividade, com “clientes a mencionar que foi o melhor mês em termos de vendas”, apesar de existir uma tendência de o “comércio médio e pequeno encerrar portas nestes meses de verão, por um lado por causa das férias, por outro para manter os stocks, sabendo que se venderem carros agora depois se irão abastecer mais caro”. Pedro Soares menciona ainda que os clientes que trabalham com rent-a-cars já estão neste momento a receber mais carros, mas que o aumento dos preços do abastecimento estão a subir, portanto há que esperar a subida de preços para o consumidor final.

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