Ensaio Seat Leon 5P 2.0 TDI CR 150 CV DSG (7)

Jorge KM Farromba

Do que é feito?

Ensaiar muitos automóveis tem sempre um efeito interessante no “piloto de ocasião”, porque acaba sempre por efetuar comparações. Tem obviamente de ter o cuidado de as efetuar, considerando o modelo inserido no segmento respetivo face à concorrência. Mas, no caso do SEAT tem ainda de ser comparado com a “concorrência” do grupo VW onde está inserido.  E tal torna o ensaio ainda mais desafiador.

Assim, e começando pelo exterior devo referir que o LEON me transmite semelhanças com o GOLF nalguns dos seus traços e, isso, é salutar. Conjuga modernidade com um desenho que se tornou intemporal.

Mas a SEAT coloca sempre uns “pozinhos mágicos” no desenho exterior e interior que lhe dão o cunho desportivo claramente assumido pela marca. Deste modo, a identidade exterior, alinhada com a gama do construtor é, de belo efeito visual, ou como a marca refere – sem monotonia. E atrás, o efeito é também deveras interessante com a assinatura luminosa com um filamento luminoso a unir ambas as óticas (a Porsche possui também este detalhe)

No interior, a primeira sensação que tenho é que foi desenhado para ser irreverente. Formas retilíneas, bons materiais suaves ao toque nas zonas mais próximas das mãos dos passageiros , um volante de excelente pega e uns bancos sólidos/rijos (que aprecio) com uma sustentabilidade para o corpo que é de enaltecer.

Com uma ergonomia num bom patamar e a usabilidade bem pensada (por exemplo, na “manete” da caixa DGG de 7 velocidades ou no botão de start na consola central, ou mesmo na enorme facilidade de acesso ao banco posterior com espaço mais que suficiente para 4 passageiros e sem queixas ao nível dos joelhos, sem poderem sequer tocar no banco da frente.

Mas esta usabilidade que me refiro é por vezes difícil senão mesmo impossível de transmitir por palavras. É necessário sentir. E isso só um teste físico permite corroborar o que afirmo. É de facto um prazer utilizar os vários comandos, engrenar as velocidades (seja na consola ou nas patilhas no volante) e perceber a intuitividade com que tudo se desenrola no Leon.

Bom, dito isto como é que se comporta em estrada?

O Leon é tipicamente alemão. Rigoroso, competente e confortavelmente rijo. A sua condução é de uma eficácia acima da média pois lê bem a estrada, a direção é precisa, o chassis competente, as suspensões foram afinadas para serem eficazes e o SEAT quando aponta para a curva, a traseira acompanha-o com uma precisão de assinalar.

Para este ensaio resolvi desafiar-me e tracei um itinerário de cerca de 700kms … num dia! Foram no total 11:30h para efetuar 700kms. Ao volante 9h:31mnts. Com o motor diesel de 150Cv, chegou um depósito e sobrou para mais 120kms. A média mais baixa que efetuei foram 4.1 e a mais alta 5.2l

O percurso iniciou-se em Lisboa mas o roteiro era na Beira Baixa – Vila Velha de Ródão, Idanha, Proença a Nova, Monsanto, Penha Garcia, Termas da Touca, Alcongosta, Covilhã, Penhas da Saúde e de novo Lisboa.

Após mais de uma hora é usual nalguns carros termos a vontade de parar pois os bancos começam a mastigar-nos o corpo. 700kms depois nada disso aconteceu. Conforto, bons apoios laterais e bons tecidos (por causa da respirabilidade do corpo)

O LEON não somente é senhor de um comportamento rigoroso, previsível e preciso como alia isso a uma facilidade de condução que somente o exercício prático de o conduzir demonstra. E, se optarmos por configurar o Leon entre o ECO, Confort, Normal, Sport e Individual, ainda mais agradados ficamos com a dinâmica do modelo (no Sport, direção, caixa, resposta do motor muito dinâmica)

Não podia deixar de incluir neste artigo, uma referência para  este roteiro com paisagens deslumbrantes, monumentos, cultura, património e gastronomia, num interior que importa ainda mais descobrir. O ponto mais alto é sem dúvida Monsanto e Penha Garcia (entrar e sair com o Leon nalguns locais exigiu contas milimétricas mas os sensores ajudaram – talvez aqui faça mesmo sentido as marcas começarem a dotar os seus automóveis de câmaras 360º pois estes são cada vez mais largos e compridos e já não cabem com tanta facilidade onde a primeira geração do Leon passaria antes).

Guardo na memoria o trajeto mais empenhado nas estradas que levam a Monsanto e Penha Garcia mas também na subida da Covilhã às Penhas da Saúde, onde ficou claro que existiu muito desenvolvimento nas suspensões e chassis para um comportamento tão eficaz,  eficiente e teleguiado do Leon.

E é isto! Não se nota um bambolear de carroçaria. Não! Foi pensado para ser eficaz. E, talvez por isso e muito mais, tem uma legião de seguidores.

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