Bruxelas deixa aviso a Marrocos sobre Ceuta: “Fronteiras espanholas são fronteiras europeias”

A comissária europeia para o Interior, Ylva Johansson, alertou Marrocos esta terça-feira, lembrando que “as fronteiras espanholas são as fronteiras europeias”, na sequência de milhares de migrantes terem entrado ontem na região espanhola de Ceuta, avança o ‘El Mundo’.

Johansson exigiu que o país cumprisse as suas obrigações de controlar as partidas irregulares e que aceitasse o regresso das pessoas que saíram de Marrocos, uma vez que estas não têm o direito de permanecer em território europeu.

A responsável, que esteve no Parlamento Europeu para um debate sobre esta política comum de migração, dedicou a parte final do seu discurso à crise “sem precedentes” que se vive no enclave espanhol em África.

“É preocupante que milhares de pessoas, grande parte delas crianças, tenham chegado a Ceuta a nado, pondo em perigo a sua vida. Muitos tiveram que ser resgatados, uma pessoa morreu”, afirmou após defender a proposta da Executiva Comunitária do novo pacto migratório, que foi apresentada em setembro e está em fase de negociação.

A Comissária pediu ao Marrocos que “continue a comprometer-se em evitar partidas ilegais” e a garantir que aqueles “que não têm o direito de ficar regressem (ao seu país) de maneira ordenada e eficaz”.

“A UE quer construir uma relação com Marrocos baseada na confiança e em compromissos partilhados”, recordou Johansson, depois de assegurar que a migração é um elemento “chave” nesta relação entre as duas costas.

A agência europeia de fronteiras, Frontex, também se mostrou esta terça-feira disposta a ajudar as autoridades espanholas a controlar as zonas fronteiriças de Ceuta e Melilha com Marrocos. “Estamos prontos para apoiar a Espanha nas suas fronteiras externas”, disse um porta-voz da sede da Frontex em Varsóvia.

Toda a União Europeia reagiu em uníssono aos últimos acontecimentos. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse através do Twitter que “a Europa expressa a sua solidariedade com Ceuta e Espanha. Precisamos de soluções europeias comuns para gerir a migração. Podemos consegui-lo se chegarmos a um acordo sobre o novo Pacto de Migrações”.

Da mesma forma, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, expressou sua “solidariedade e apoio” a Espanha e sublinhou a mensagem oficial da UE: “As fronteiras da Espanha são as fronteiras da União Europeia”, afirmou.

Também David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu, expressou o seu apoio com uma mensagem semelhante: “As fronteiras grega, espanhola e italiana são fronteiras europeias”, assinalou, através das redes sociais, onde exigiu “uma política europeia comum em questões de migração e compromissos partilhados com países vizinhos para gerir a migração juntos”.

A Comissária Margaritis Schinas, vice-presidente para a promoção do modo de vida europeu e responsável pelos assuntos migratórios, também expressou a sua “plena solidariedade com a Espanha”. “Precisamos agora do pacto europeu para a política de migração: acordos com países terceiros; uma proteção robusta das nossas fronteiras; solidariedade entre os estados membros e uma política de migração legal”, apelou.

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