Web Summit: Eleições nos Estados Unidos foram referendo à gestão de Trump

Um painel de analistas políticos concluiu hoje que as recentes eleições presidenciais dos EUA foram, essencialmente, um referendo sobre a estratégia política recente do Governo do Presidente, Donald Trump.

A vitória do candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, deveu-se em grande parte à perceção negativa que muitos norte-americanos revelam sobre a maneira como Donald Trump está a gerir a pandemia de covid-19, condenando a estratégia de combate sanitário e de recuperação económica, admitiram consultores de ambos os partidos, presentes numa sessão da Web Summit sobre as eleições de 03 de novembro.

Para Joe Paunder, consultor do Bullpen Strategy Group e um dos conselheiros da candidatura de Trump, o Presidente cessante foi prejudicado pela reação negativa dos eleitores aos fracos resultados no combate à propagação do novo coronavírus, que já matou mais de 270 mil pessoas nos EUA.

Sheila Nix, consultora da Tusk Philantropies e estratega da candidatura de Joe Biden, concorda com esta perspetiva e diz que o Presidente eleito beneficiou da eficácia como passou a mensagem de que tem uma estratégia diferente para atacar a pandemia e de que vai fazer tudo para unir o país em torno desse combate.

“As pessoas estão exaustas com a pandemia e com a falta de respostas do Governo”, disse Nix, explicando que Biden surgiu com um discurso mais pragmático, e mais entendível, sobre o que pretende fazer para colocar um fim à pandemia de covid-19.

Anthony Scaramucci, consultor independente da Skybridge Capital, salientou a urgência de unificação de um país que saiu muito dividido das eleições que deram a vitória ao candidato presidencial democrata, mas que reforçaram a posição dos republicanos no Congresso.

“É preciso recordar que muitos eleitores republicanos saíram destas eleições convencidos de que o sistema – contra o qual eles protestam e por isso votam Trump — continua a não funcionar. Mais uma razão para os democratas precisarem de os cativar para a ideia de uma América unida”, comentou Scaramucci.

Joe Paunder preferiu salientar a necessidade de o Partido Republicano olhar para os novos eleitores e procurar ajustar o seu programa a novas exigências e diferentes perfis, apelando a que os democratas façam o mesmo perante o seu eleitorado.

“Os republicanos devem concentrar-se no Congresso. Mas devem entender que esse Congresso vai responder a novas políticas”, concluiu o consultor da campanha presidencial de Trump, recordando que estas foram umas “eleições muito disputadas” e “muito divisivas”.

Por seu lado, Sheila Nix, consultora de Biden, salientou que o Presidente eleito “está muito bem preparado para lidar com crises” e que a crise económica derivada da crise sanitária deve ser combatida num espírito de unidade, que convoca todos os norte-americanos.

“Os republicanos precisam de abrir o seu partido. Precisam de afastar o fantasma de Trump, que está politicamente morto, e avançar para uma nova estratégia, se quiserem recuperar o prestígio perdido”, concluiu Anthony Scaramucci, na sessão da Web Summit que procurou entender o significado e as consequências do resultado das eleições presidenciais nos EUA.

A Web Summit, que começou hoje e decorre até quinta-feira e é considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, realiza-se este ano totalmente ‘online’ com “um público estimado de 100 mil” pessoas, com mais de 2.500 jornalistas inscritos.



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