OE2021: «Por mim o Estado cumpre – desde que os outros cumpram também», diz Rio

“O PSD vota em coerência com o que eu sempre disse: o Governo, antes de qualquer transferência que faça para o Novo Banco deve vir ao Parlamento explicar as razões e a justeza dessa entrega de dinheiro. De preferência com a auditoria independente que o Tribunal de Contas está a fazer claramente em cima da mesa. Têm a certeza que do lado do Novo Banco o contrato está a ser cumprido? É que, do lado do Estado, o contrato tem de ser cumprido se o Novo Banco também o está a cumprir. Têm a certeza que estas vendas todas ao desbarato não têm lá menos-valias fabricadas? É que já basta de os portugueses estarem a pagar para o Novo Banco”, defendeu Rui Rio em resposta às críticas que lhe foram dirigidas por António Costa a propósito deste tema.

Exigindo “coerência e seriedade nisto tudo”, Rio sustentou perante os jornalistas: “Sim senhor, o Estado português tem de cumprir. Mas temos de ter a certeza que o Novo Banco também está a cumprir, porque o contrato tem dois lados, não tem só um lado. E no lado daqui estamos nesta sala a defender os contribuintes portugueses. E são milhões e milhões e milhões e milhões sem explicação – há um momento em que tem de haver explicação. Não passa a título gratuito. No momento em que quiser passar tem de vir aqui outra vez com um orçamento retificativo e dizer: ‘Queremos entregar mais quatrocentos e tal milhões.’ E nós, então, temos oportunidade de perguntar: ‘Sim senhor, querem passar os quatrocentos e tal milhões: porquê? A título de quê e com que justificação ao fim deste tempo todo?”, questionou.

Por outro lado, rejeitou qualquer acusação de irresponsabilidade da sua parte e acusou o Governo de “falta de transparência”. “Não vejo irresponsabilidade nenhuma. Vejo é, do lado do Governo, e aliás o Governo está a atirar-se ao PSD quando articulou o orçamento todo com o Partido Comunista. E então, o Partido Comunista, como é que votou? Com o Partido Comunista é que eles podiam ter negociado, sem os votos do Partido Comunista a proposta do Bloco de Esquerda não passava. Para mim é absolutamente indiferente de quem seja a proposta – quando é do Chega dizem que sou fascista; quando é do Bloco de Esquerda, se calhar sou comunista”, referiu em tom irónico. “Eu vou pela justeza das propostas. E aquela proposta, do meu lado, dá a garantia de que o Estado vai cumprir quando tivermos a certeza que o Novo Banco está a cumprir também e que aquela verba é justa.”

Repetindo os ataques ao Partido Comunista sob a acusação de que diz “nem mais um tostão para o Novo Banco”, Rio voltou a questionar Costa sobre o facto de este atacar o PSD e não os comunistas. “Não tem coerência rigorosamente nenhuma”, resumiu.

Quanto à possibilidade de danos reputacionais para Portugal, o líder social-democrata indicou que isso só poderia suceder se dissesse “Por nós, não vai nem mais um tostão para o Novo Banco. Mas eu estou a dizer: por mim, o Estado cumpre e cumprirá na altura certa, desde que tenhamos a certeza que o Novo Banco também está a cumprir. Agora, o Novo Banco a vender património, um atrás do outro, sabe-se lá a quem, com perdas amontoadas e os portugueses a pagarem um ano, dois anos, três anos, quatro anos, cinco anos… Basta! Há um momento em que é preciso dizer basta! E, portanto, vão dar explicações para esse dinheiro. Criam uma crise artificial, porque eu estou a dizer: por mim, o Estado cumpre – desde que os outros cumpram também. Agora, basta de massacrar os contribuintes.”

“Precisamos que a auditoria ande depressa e aquilo que, em princípio deve acontecer, é que o Novo Banco reclame a verba lá para maio. E aí vamos ter de ver o momento em que o Estado honra que é o momento em que também vai saber-se que eles também estão a honrar”, indicou, em relação à auditoria. “É um fator que está em cima da mesa, temos de ver na altura”, considerou.

Além de sugerir a intervenção do Ministério Público com o intuito de que seja investigado aquilo que justifique essa ação e de admitir que o Governo siga para uma “batalha legal” no caso do Novo Banco, Rui Rio acusou as propostas do Partido Comunista de “degradarem as contas do Estado em mais de mil milhões de euros” e também se pronunciou sobre o seu posicionamento acerca das SCUT. “Todas as propostas do PSD com impacto no Orçamento tinham contrapartidas. A das SCUT tinham duas possibilidades de contrapartida e no ponto 3 foi o Partido Socialista que chumbou uma delas que previa contrapartida por via da renegociação com os concessionários. Sempre disse – e a líder parlamentar do PS disse ali uma mentira qualquer de que já nem me lembro – e defendi o utilizador-pagador. E aqui ninguém está a fazer o contrário – o que se está a dizer é que vão pagar metade. E porquê? Por uma discriminação que já nem sequer é positiva do interior – é que o Estado, para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto baixa os passes e para o interior, nada. Esta é a compensação possível para o interior e para haver alguma justiça neste País.” E rematou: “Porque também é muito simples nas campanhas eleitorais encher a boca com o interior e que vamos ajudar o interior e depois chega-se aqui e o interior fica ainda mais abandonado. Portanto, continua a haver utilizador-pagador, mas pagando metade, algo que vale cerca de 70 milhões no semestre em causa, tem lá possibilidade de contrapartida. Atenção que ando aqui há muitos anos e digo sempre a mesma coisa. A única defesa que têm é começarem a deturpar aquilo que digo para parecer que não digo a mesma coisa. Mas eu digo a mesma coisa sempre nas mesmas circunstâncias, quando mudam as circunstâncias também mudará aquilo que eu digo.”

 



Notícias relacionadas
Comentários
Loading...