Covid-19: China bloqueia entrada de investigadores da OMS

A China está a bloquear a entrada de uma equipa da Organização Mundial de Saúde que investiga as origens da pandemia provocada pela covid-19, alegando que os vistos destes investigadores ainda não foram aprovados, embora alguns membros do grupo já estivessem a caminho, noticia o diário The Guardian.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou o seu desânimo e pediu à China para permitir a entrada da equipa. “Estou muito dececionado com esta notícia, visto que dois membros já começaram as suas viagens e outros não puderam viajar no último minuto ”, afirmou.

“Mas tenho mantido contato com altos funcionários chineses. E mais uma vez deixei claro que a missão é uma prioridade para a OMS e para a equipa internacional de cientistas”, acrescentou Ghebreyesus.

Entretanto, a China negou ter impedido a entrada no país de uma equipa de especialistas que vai examinar as origens da covid-19 e garantiu que as discussões com a Organização Mundial da Saúde (OMS) prosseguem. “A China está em contacto com a OMS para que especialistas possam visitar o país. Estamos a trabalhar muito nas ambiciosas tarefas de prevenção, mas ainda enfrentamos dificuldades para acelerar os preparativos, algo que a OMS sabe perfeitamente”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying.

Hua afirmou que “primeiro é preciso concluir os procedimentos necessários e tomar as medidas pertinentes”. “Ainda estamos a negociar com a OMS sobre isso”, apontou. “Nunca houve qualquer problema de cooperação entre a China e a OMS. (…) As duas partes estão em contacto para marcar uma data e preparar a visita”, acrescentou.

A OMS tem negociado com autoridades chinesas desde julho a entrada de especialistas na China para estudar a origem do novo coronavírus, na cidade de Wuhan.

Ilona Kickbusch, diretora, fundadora e presidente do Centro de Saúde Global em Genebra, confessou em entrevista ao Guardian “que será extremamente difícil  encontrar a origem do vírus, porque já passou muito tempo”.

Kickbusch culpou ainda a atual situação geopolítica entre a China e os EUA como grande responsável pela demora nas descobertas e recordou que, quando o SARSS, outro coronavírus, surgiu na China e causou estragos entre 2002 e 2003, a reação global foi de cooperação e pressão por mais transparência.

Nessa altura, Pequim reconheceu que cometeu erros, reorganizou o Ministério da Saúde e criou o Centro Chinês para Controlo e Prevenção de Doenças. Os outros países concederam-lhe o benefício da dúvida e apelaram a mais cooperação.





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