Brasil: “Operação Lava Jato interferiu e apoiou a eleição de Bolsonaro”, afirma juiz do Supremo

O juiz Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, denunciou ontem, em declarações à BBC News Brasil, que a Operação Lava Jato “apoiou a eleição de Jair Bolsonaro, tentou interferir no resultado eleitoral e fez de tudo para perturbar o país” durante a presidência de  Michel Temer.

O magistrado aproveitou ainda para apontar o dedo ao ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, porque “fez tudo aquilo que não condiz com a relação entre juiz e Ministério Público numa investigação criminal”. Estas declarações são divulgadas a poucos meses de se saber se o STF irá concordar com o pedido interposto pelo ex-Presidente Lula da Silva e absolvê-lo no caso de corrupção Tríplex do Guarujá.

O julgamento do recurso de Lula começou em dezembro de 2018 e foi interrompido pelo próprio Mendes que, na altura, interpôs um pedido de reapreciação do processo. Segundo Mendes, o caso voltará a ser votado no primeiro semestre do ano.

Em sua defesa, Lula questiona a imparcialidade de Moro e cita como uma das provas o facto de o juiz ter aceitado o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro, como refere o Correio Brazilisense.

Moro foi o primeiro a condenar Lula, em 2017, no processo em que o ex-Presidente é acusado de ter recebido um imóvel no Guarujá da OAS como pagamento, num caso de corrupção em troca de contratos da empresa com a Petrobras, como descreve o Estado de São Paulo.

“Primeiro a Lava Jato prende Lula. Momentos antes da eleição, a Lava Jato divulga o chamado depoimento de Palocci e tenta influenciar o processo eleitoral. Depois, Sérgio Moro vai para o governo Bolsonaro, portanto, eles não só apoiaram como depois passam a integrar o atual governo”, explicou o juiz do STF à BBC.

Questionado se uma eventual anulação da condenação de Lula não poderia gerar um efeito cascata, ao beneficiar injustamente réus da Lava Jato, Mendes esclareceu que “cada caso será analisado individualmente”.

Apesar de todos este problemas, Mendes sublinhou que “não é saudável para a democracia, nem para o Brasil, iniciar um processo de ‘impeachment’ contra Jair Bolsonaro”. Até agora já foram feitos quase 60 pedidos de destituição contra o atual Presidente, segundo a BBC Brasil. Nenhum foi aceite pela Câmara dos Deputados, refere a Agência Pública.

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