Vigiar aviões de famosos e políticos: A nova tendência que está a conquistar milhares de internautas

Esta semana, o mundo quase parou para assistir à visita da Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan. Os sites da imprensa internacional começaram a fazer soar os alertas mal o avião da alta-oficial norte-americana entrou em espaço aéreo taiwanês.

Os primeiros relatos basearam-se em dados de plataformas online de monitorização de tráfego aéreo, designadamente do Flightradar24, criado em 2007 na Suécia.

O responsável de comunicação do portal, Ian Petchenik, conta ao ‘The Guardian’ que o site ter registado um “interesse sustentado sem precedentes” devido à visita de Pelosi, tendo registado um pico recorde de 708 mil pessoas que acompanhavam em simultâneo o voo em direção a Taiwan. No total, registaram-se 2,92 milhões de utilizadores que acompanharam o percurso da política norte-americana.

Mas já anteriormente a Flightradar24 tinha captado grande atenção mundial, quando em 2021 o líder da oposição russa Alexei Navalny regressava a Moscovo, onde acabaria por ser detido pela polícia. Cerca de 550 mil pessoas acompanharam esse trajeto.

A razão por detrás do interesse é simples, de acordo com Petchenik, que aponta que a plataforma dá a qualquer pessoa com acesso a internet a possibilidade de “participarem na História em tempo real”. Além disso, o responsável diz também que o acompanhamento de voos cria oportunidades para dinâmicas sociais, em que várias pessoas podem monitorizar um determinado trajeto feito por uma dada personalidade e discutir o progresso nas redes sociais online.

Os sistemas de monitorização de voos, adianta o mesmo jornal britânico, tem como base uma tecnologia de fonte aberta conhecida como ADS-B, que permite que as aeronaves possam transmitir as suas localizações e outras informações a qualquer pessoa que tenha um sistema recetor.

Outra plataforma é a ADS-B Exchange, criado em 2016 por um profissional das tecnologias chamado Dan Streufert. Segundo as informações, e ao contrário da Flightradar24, esta plataforma torna públicos os voos feitos pelos mais poderosos do mundo, mesmo quando eles pretendiam que a sua deslocação se mantivesse secreta.

Essa transparência não agradará a todos e Streufert chegou mesmo a ser contactado por um advogado europeu, que depois veio a saber que representava Gaddafi, que exigia que deixasse de monitorizar os voos dos seus clientes.

Recentemente, a ADS-B Exchange chegou às páginas dos jornais quando uma organização ambientalista recorreu aos seus dados para estimar as emissões de carbono produzidas pelas viagens em jatos particulares de famosos como Drake, Kylie Jenner, Travis Scott e Taylor Swift.

Mas a missão da ADS-B Exchange não revolve exclusivamente em torno do entretenimento. O portal partilha com regularidade os dados que recolhe com investigadores de acidentes aéreos, e tem também contratos com o Departamento de Defesa dos EUA. “Não nos dizem para que fins realmente usam os dados, mas ajuda a cobrir alguns dos custos”, afirma Steufert.

Assim, neste verão, é de esperar que cada vez mais pessoas procurem experimentar estas plataformas que permitem saber para onde viajam pessoas de alto perfil, mesmo antes de isso fazer notícia.

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