Varíola dos macacos: UE sem vacinas suficientes para fazer frente ao aumento de infeções e a perder terreno para o surto, alertam especialistas

O surto de varíola dos macacos está a fazer soar os alarmes nas capitais europeias, tendo já sido declarada uma emergência global de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Contudo, depois dos problemas que se observaram no início da pandemia de Covid-19, Bruxelas continua um passo atrás da propagação do vírus.

Conta o ‘Politico’, que a União Europeia, através do seu departamento para a gestão de crise sanitárias (HERA), já terá comprado, com fundos próprios, mais de 163 mil vacinas contra a varíola dos macacos. No entanto, o bloco europeu conta com cerca de 450 milhões de habitantes, pelo que, numa altura em que a maioria dos casos de infeção foram registados na Europa, terá de fazer mais para se preparar para uma possível nova crise sanitária.

Uma fonte não identificada conta que “a Comissão [Europeia] está a avaliar o mecanismo de comprar conjuntas, para identificar e analisar possíveis oportunidades para melhoria”, acrescentando que poderá haver resultados dessa revisão no final do ano. Só que até lá já a varíola dos macacos deverá ter atingido maiores dimensões.

Rosa Castro, da Aliança Europeia de Saúde Pública, argumenta que a UE deveria designar a HERA como uma agência, ao invés de um mero departamento, para que esse órgão possa agir mais agilmente e não estar dependente de processos bastante morosos, que adiam respostas urgentes. Essa revisão do papel da HERA estará nos planos de Bruxelas, conta Rosa Castro, mas só deverá acontecer em 2024, e, por essa altura, poderá ser tarde de mais para combater o surto de varíola dos macacos.

Na UE, Espanha surge como o epicentro do vírus, com 4.577 casos confirmados de infeção, seguida pela Alemanha com 2.839 casos.

Com Bruxelas a perder terreno para o surto, os seus membros estão a procurar dotar-se das suas próprias defesas. França, por exemplo, já adquiriu 250 mil doses (bem mais do que a própria UE), pelo que a varíola dos macacos poderá ser mais um teste à unidade europeia, depois de a pandemia de Covid-19 ter demonstrado que o mecanismo europeu de compras conjuntas não tinha capacidade para responder eficazmente.

Aliás, foi por essa razão que a Comissão Europeia decidiu criar a HERA, que, no seu site, diz que tem como missão “assegurar o desenvolvimento, produção e distribuição de medicamentos, vacinas e outras contramedidas médicas que frequentemente falhavam durante a primeira fase de resposta à pandemia de Covid-19”. O objetivo era que a Comissão atuasse como o interlocutor coletivo com os fabricantes de vacinas, em vez de cada Estado-membro atuar sozinho.

Porém, a lentidão que tem marcado a atuação da HERA face à varíola dos macacos poderá, uma vez mais, levar as capitais a decidirem comprar as suas próprias vacinas, o que fará com que não haja uma resposta coordenada na UE, tal como nos primeiros meses da pandemia do coronavírus.

Jean-Christophe Goffard, do Erasme Hospital, em Bruxelas, contou ao ‘Daily Mail’ que “não nos parece que sejamos atualmente capazes de controlar devidamente a epidemia”.

Essa preocupação é partilhada por outros especialistas. Em julho, a secção europeia da OMS tinha avançado que se previa que até dia 2 de agosto o número de casos de infeção poderia chegar aos 27 mil. No dia 5 de agosto, estão registados 26.864, de acordo com o Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Os especialistas alertam que os países, e a UE, não estão a prestar a devida atenção o novo surto e que “a janela de oportunidade está a fechar-se”.

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