Vacinação a duas velocidades: mapa revela um mundo dividido entre pobres e ricos

O mapa da taxa de vacinação com pelo menos uma dose do site Our World in Data revela a enorme clivagem entre países pobres e ricos. Portugal está entre os países mais privilegiados, com mais de 64% da população vacinada com pelo menos uma dose.

Mas enquanto o mapa mostra os países europeus, a América do Norte ou alguns países da América do Sul com taxas elevadas, quando se olha para África o cenário é desolador.
A maioria dos países africanos não atingem sequer os 5% de população vacinada, havendo mesmo Estados abaixo de 1%.

O diretor da Organização Mundial da Saúde, continua a apelar à comunidade internacional para travarem políticas de “ganância” e apelando aos países ricos que doem as vacinas que têm em excesso em vez de ponderar usá-las como reforços.

Deixar os países pobres por vacinar acaba por afetar o mundo inteiro, alertam os especialistas, já que isso provavelmente irá prolongar a pandemia, mesmo para os países mais ricos, já que o vírus continua a sofrer mutações e a circular.

Ghebreyesus já tinha defendido também que as vacinas da Moderna e da Pfizer, em vez de darem prioridade a países com cobertura alta de vacinação, deviam fornecer vacinas ao mecanismo Covax(iniciativa de distribuição equitativa e global de vacinas) a África e aos países pobres, com poucas vacinas ainda.

E frisou que são precisos novos centros de fabrico de vacinas e que as empresas farmacêuticas devem partilhar as suas licenças e tecnologia, salientando o exemplo da AstraZeneca, que tem liderado o licenciamento das suas vacinas em todo o mundo para aumentar a produção.

Além da Europa, Índia e Coreia do Sul, vai haver mais dois locais de fabrico da vacina da AstraZeneca, Japão e Austrália, disse. E acrescentou: “Precisamos que outros fabricantes sigam este exemplo. Milhares de pessoas continuam a morrer todos os dias e isso merece uma ação urgente”.

Apesar do aumento da prevalência da variante delta da covid-19, mais transmissível, responsáveis da OMS disseram hoje na conferência de imprensa que as vacinas são eficazes e que evitam a hospitalização e mortes. Mas também disseram que há uma “lacuna” entre a retórica e a distribuição de vacinas no mundo e que não se vê solidariedade.

A pandemia de covid-19 provocou mais de quatro milhões de mortes em todo o mundo, entre mais de 186 milhões de casos de infeção. Em Portugal morreram 17.164 pessoas e foram registados mais de 909 mil casos de infeção.

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