Trombose após vacinação com AstraZeneca: Quais os sintomas e como se deve atuar?

A vacina da AstraZeneca foi desaconselhada a pessoas com idade inferior a 60 anos e um alto funcionário da Agência Europeia de Medicamentos aconselha mesmo a deixar de administrar a vacina deste laboratório em qualquer idade quando há alternativas disponíveis, devido aos relatos de trombose após a primeira dose, apesar de raros.

Muitos países deixaram de administrar a vacina a menores de 60 anos, sendo que em Portugal também estão recomendadas outras vacinas alternativas, apesar de haver casos de pessoas abaixo dos 60 anos a receberem a vacina da AstraZeneca, incluindo a própria ministra da Saúde, que anunciou ter sido imunizada com duas doses desta marca apesar e ter menos de 60 anos.

O que já se sabe sobre os coágulos relacionados com as vacinas?

Segundo dados europeus, as tromboses venosas no cérebro ou em locais atípicos presença de um volumoso coágulo fixado na parede interior de uma veia – registam-se, em média, num caso a cada 100 mil doses administradas.

Nos casos registados, apesar de raros, afetaram principalmente pessoas com menos de 60 anos de idade e, até agora, ocorreram quase sempre após a toma da primeira dose de AstraZeneca.

Sobre a vacina da Janssen, já aprovada em Portugal, e que usa o mesmo mecanismo, não há dados suficientes já que ainda foram administradas poucas doses.

Quais os sintomas de trombose pós-vacina e quando aparecem? Existem tratamentos eficazes?

Os sintomas de trombose podem ocorrer entre cinco dias e três semanas após a administração da vacina. Estes são os sintomas a que se deve prestar atenção e que obrigam a assistência médica urgente:

  • Edema num braço ou perna
  • Dor abdominal persistente
  • Dor de cabeça
  • Visão turva
  • Tonturas
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Aumento da frequência cardíaca
  • Sangramento e hematomas

Esta síndrome é conhecida como VITT – trombocitopenia trombótica induzida por vacina – e é importante que seja tratada rapidamente. O protocolo prevê a administração de imunoglobulinas e anticoagulantes, mas não heparina. A trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas) imune induzida pela vacina é clinicamente muito semelhante à “trombocitopenia autoimune induzida pela heparina”, logo, este medicamento não pode ser usado na trombose pós-vacina.

Em maio, médicos austríacos conseguiram salvar a vida de uma mulher de 62 anos utilizando imunoglobulinas por via intravenosa e outros anticoagulantes, que não a heparina.

O que se pode fazer a quem recebeu a primeira dose da vacina AstraZeneca?

Embora as agências reguladoras não tenham autorizado expressamente a mistura de vacinas de diferentes marcas, a combinação tem acontecido nalguns países e a mais comum na Europa tem sido uma segunda dose da Pfizer após a primeira de AstraZeneca.

Estudos recentes mostram que a mistura de vacinas com diferentes tecnologias pode aumentar a resposta imunitária e estimular a produção de anticorpos específicos contra o coronavírus. Os dados ainda não são conclusivos, pois a amostra de pessoas testadas ainda é pequena.

Há pessoas que correm maior risco de desenvolver trombose após a vacina?

Sim, as mais jovens. “A autoimunidade é mais frequente em mulheres jovens e a incidência de trombose confirma esta característica”, explica Pier Mannuccio Mannucci, hematologista e membro da comissão da Agência Italiana de Medicamentos para avaliação do risco de trombose associada às vacinas Covid. Apesar de as doenças autoimunes geralmente apresentarem dois picos, na juventude e na velhice, neste caso a trombose parece quase não afetar os idosos.

O que distingue a vacina da AstraZeneca das restantes?

As vacinas “víricas”, tais como as da AstraZeneca, Johnson & Johnson e Janssen, utilizam como portador outro vírus, que é modificado para transportar informação genética para combater a Covid-19. Ambas utilizam um tipo muito comum de vírus chamado adenovírus como portador.

A tecnologia do RNA mensageiro, utilizada nas vacinas da Pfizer e Moderna por exemplo, consiste em injetar nas células instruções genéticas para que elas possam produzir proteínas ou “antigénios” específicos do novo coronavírus. Estas proteínas serão entregues ao sistema imunitário, o qual produzirá depois anticorpos.

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