EUA aprovam novo tratamento para a doença de Alzheimer, o primeiro em 20 anos

A Food and Drug Administration (FDA) aprovou um novo tratamento para a doença de Alzheimer. Há 20 anos que nenhum novo fármaco era aprovado para tratar esta doença debilitante e a decisão de hoje era esperada com muita ansiedade por doentes e indústria farmacêutica.

Em causa está a droga aducanumab, que pode significar uma autêntica revolução na vida dos pacientes com Alzheimer, já que nenhum outro tratamento é aprovado desde 2003.

No entanto, este medicamento, desenvolvido em parceria pela Biogen e a japonesa Eisai, é controverso entre os cientistas e muitos alegam que é simplesmente ineficaz.

Em janeiro, a FDA adiou a decisão depois de alguns meses de atraso no processo, enquanto os investidores das companhias farmacêuticas e seis milhões de doentes de Alzheimer nos EUA aguardavam ansiosamente as conclusões do regulador. “Este é, sem dúvida, o maior acontecimento da biofarmácia em 2021”, disse Colin Bristow, analista do banco de investimento UBS, ainda antes da decisão.

O aducanumab é um tratamento com anticorpos monoclonais administrado por via intravenosa e indicado para doentes com doença de Alzheimer moderada.

De acordo com a Biogen, a substância liga-se a moléculas da proteína beta-amilóide, formando placas no cérebro que ‘partem’ depósitos sólidos, retardando a progressão da doença de Alzheimer e permitindo que as pessoas continuem a desempenhar tarefas diárias, como fazer limpezas ou compras.

“As placas de beta-amilóide surgem da acumulação da proteína beta-amilóide (que é solúvel) no cérebro, formando depósitos sólidos. É de salientar que esta acumulação, que surge nas imagens do tecido cerebral como uns borrões escuros, acontece fora das células e muito antes dos primeiros sinais da doença”, como explica a associação Alzheimer Portugal.

Origem da controvérsia do aducanumab

Em março de 2019, os testes da Biogen Two foram interrompidos depois de uma comissão independente ter deliberado que a droga não é eficaz. No entanto, em outubro de 2020, a empresa veio dizer que um novo estudo de um conjunto maior de dados demonstrou que o medicamento funcionava quando administrado em doses mais altas.

A Biogen também foi criticada por divulgar os dados após a conclusão do teste, e alguns cientistas continuavam a defender que os dados são insuficientes para merecer a aprovação da FDA.

No entanto, a entidade reguladora norte-americana deu mesmo luz verde à comercialização desta nova esperança para os doentes de Alzheimer.

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