Terrorismo: Aliança entre talibãs e al-Qaeda no Afeganistão pode tornar realidade “ataque de grande escala no Ocidente”, alerta especialista

Na terça-feira, os Estados Unidos anunciaram ao mundo a morte de Ayman al-Zawahiri, que liderava a organização terrorista al-Qaeda e que foi um dos responsáveis pela orquestração do ataque às Torres Gémeas de 11 de setembro de 2001.

A administração de Joe Biden explicou que o líder terrorista foi morto por um ataque de drone na capital afegã Cabul e salientou que o mundo estava agora mais seguro. Contudo, essa mensagem de otimismo poderá ser hiperbólica, o que foi possível, desde logo, constatar com um comunicado emitido pelo Departamento de Estado norte-americano, que adiantava que “a atual informação sugere que as organizações terroristas continuam a planear ataques terroristas contra os interesses dos EUA em múltiplas regiões em todo o mundo”.

A ideia de que a morte de al-Zawahiri não dita o fim da al-Qaeda, apesar de ser um golpe duro e real para as operações da organização, e de que não se pode afastar a possibilidade de ataques contra países ocidentais é partilhada por Colin Clarke, especialista em assuntos de segurança internacional do Soufan Center.

Com a morte do seu líder, a al-Qaeda irá agora procurar um novo comandante, avança Clarke numa análise publicada na ‘Foreign Policy’, explicando que vários nomes de relevo dentro da organização – como o egípcio Saif al-Adel ou Abd al-Rahman al-Maghrebi, genro de al-Zawahiri – deverão estar já a ser considerados.

Contudo, é bem possível que a organização decida escolher alguém mais novo, ainda que menos conhecido, que possa galvanizar as populações mais jovens em todo o mundo para se juntarem às fileiras do terrorismo islâmico internacional.

O especialista alerta que os talibãs, que recuperaram o poder no Afeganistão depois da retirada das tropas norte-americanas no ano passado, que muitos observadores consideraram ter sido “atabalhoada”, são aliados da al-Qaeda e recorrem a essa organização para combater o Estado Islâmico nesse país do Médio Oriente. Apesar de ambas serem organizações terroristas islamitas com missões para atacar as sociedades ocidentais, que consideram impuras e uma ameaça ao Islão, elas consideram-se adversárias e competem para recrutar novos membros.

Clarke argumenta que o próximo líder da al-Qaeda, ao contrário de al-Zawahiri, “poderá ser mais bem-sucedido na exortação dos seguidores do grupo e inspirar extremistas violentos a viver no Ocidente”.

Reconhecendo que o Estado Islâmico e a al-Qaeda “têm sofrido uma série de retrocessos e perdas de figuras de topo ao longo dos últimos dois anos”, o especialista afirma que “para reafirmarem o seu domínio sobre o movimento jihadista global, ambos os grupos continuam a querer atacar o Ocidente”.

“Se os talibãs se mantiverem no poder no Afeganistão ligados, de forma muito próxima, à al-Qaeda, como muitos observadores preveem, a perspetiva de um ataque de grande escala no Ocidente poderá voltar a tornar-se uma realidade”, sentencia Clarke.

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