“Temos que dar à Ucrânia agora mesmo os tanques de que precisa”, apela o presidente do Conselho Europeu

Regressado de Kiev, após um encontro com o Presidente da Ucrânia Volodymyr Zelesky, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, tem um apelo a fazer a todos os países da UE: “Temos que dar à Ucrânia agora mesmo todos os tanques de que precisa”, sustenta o responsável, aumentando a pressão sobre a Alemanha para que permita a re-exportação de tanques Leopard, de fabrico alemão, de outros países para a Kiev.

Em entrevista ao El Mundo, Michel diz que o atual ano, será “decisivo” para a UE, e elogia a união demonstrada pelos países do bloco, mesmo com as disputas sobre armamento a fornecer à Ucrânia, e considerando que Zelensky está a pôr as várias nações a ‘competir’ umas contra as outras na corrida à garantia de fornecimento de armas.

O presidente do Conselho Europeu diz-se “impressionado” com a determinação as autoridades ucranianas sobre quais os próximos passos a seguir, dizendo que estão “preparados” para a próxima ofensiva russa, que deverá acontecer “já nas próximas semanas”.
“E é por isto que medidas mais fortes e ousadas são essenciais agora, temos de lhe dar todo o equipamento militar de que necessita, até taques”, sustenta, referindo também os passos dados pela Ucrânia e a vontade política forte de levar a cabo as reformas para se tornar num membro da União Europeia.

Segundo Charles Michel, Zelensky também pediu ajuda à UE para combater a desinformação da Rússia, e ajudar a contar o real cenário “em todas as regiões, da África à América Latina”, em conferências e cimeiras.

A reconstrução de algumas cidades devastadas pela guerra na Ucrânia “já está a decorrer”, por exemplo em Bucha, sendo que a UE, segundo Michel, está a pensar como usar os 300 mil milhões de euros em bens russos, “em linha com os princípios legais”, para reverterem parcialmente para os esforços de reconstrução.

Uma eventual vitória da Rússia no conflito seria, segundo Michel, significaria “que já não poderia haver uma Europa livre e segura, sem uma Ucrânia livre e segura”. “A derrota [de Zelensky] colocaria um perigoso precedente para o futuro de todos nós. È por isso que não pode acontecer”, apela.

“Todos sabemos que estamos num ponto crucial. E tem havido um debate aceso sobre o envio de tanques. Alguns, como a Polónia, já mostraram a sua vontade. Quero ser claro sobre isto: a Alemanha teve e sempre terá um papel-chave, contribui com ajudas financeiras e com equipamento militar, e devemos lembrar isso. Apesar das hesitações, ocupa um lugar proeminente. Mas agora, temos de tomar uma decisão e a minha posição [ a favor do envio de tanques imediatamente] é bem conhecida”, declara.

Se os tanques forem enviados demasiado tarde, as consequências, avisa Michel, podem afetar todo o ano e decidir o conflito. “As próximas duas a três semanas são decisivas. O que acontecerá em 2023, e muito do ano, vai depender destas semanas, que vão decidir o nosso futuro. Temos que estar ao lado da Ucrânia e garantir-lhe todo o apoio que precisa. Não podemos falhar-lhe”.

Charles Michel sustenta ainda que, para continuar a garantir apoio à Ucrânia perante a invasão russa, A UE precisa de manter a economia forte e resiliente. “Há uma ligação forte entre as duas. Temos que defender as fundações da nossa economia para manter a ajuda à Ucrânia e redobrar a pressão. Vamos ter de tomar muitas decisões muito importantes em pouco tempo. A primeira coisa será adaptar a nossa legislação sobre as ajudas a Estado”, aponta Michel.

“Precisamos de ser mais rápidos e flexíveis. Isto significa que compensações, ajudas financeiras, têm de ser muito mais ágeis. O ambiente e a realidade mudaram, e nós devemos também adaptar-nos”, termina o presidente do Conselho Europeu.

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