SNS: Marta Temido defende que médicos têm de ter “resiliência”. Sindicato fala em falta de “consideração”

O limite máximo anual de trabalho extra do trabalho dos médicos é de 150 horas, mas os profissionais chegam a trabalhar quatro vezes mais. “Nós sabemos que o limite de trabalho suplementar que é a regra – 150 horas – não é possível de ser respeitado no nosso sistema de saúde”, disse hoje a ministra da Saúde, Marta Temido, na Assembleia da República sobre a situação do Centro Hospitalar de Setúbal e a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para a governante, as soluções passam por pagar mais por cada hora extra e por outro ter profissionais mais “resilientes”: “Também é bom que todos nós, como sociedade, e isto envolve várias áreas, pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais”, disse.

“Porventura, outros aspectos como a resiliência são aspectos tão importantes como a sua competência técnica. Estas são profissões de facto que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão, o desgaste e temos de investir nisso”, defendeu Marta Temido.

Em declarações à SIC Notícias, o dirigente do Sindicato Independente dos Médicos reagiu e disse que ministra “não tem qualquer autoridade para dar lições de resiliência.”

“Todos os dias [os médicos] arriscam a sua vida profissional e pessoal e afectiva a bem do SNS”, disse Jorge Roque da Cunha. “Não admitimos que por falta de educação e de consideração pelos seus colaboradores, a senhora ministra da Saúde diga o que disse no Parlamento.”



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