SNS à beira do colapso? “O que é difícil é encontrarmos hospitais onde não haja problemas”

As notícias começaram em Setúbal, com uma demissão em bloco, seguiu-se Vila Franca de Xira e agora foi Leiria. Não param de surgir crises nos hospitais portugueses devido à falta de médicos e enfermeiros e os representantes sindicais falam já em avançar com ações de luta conjuntas.

“O que é difícil é encontrarmos hospitais onde não haja problemas”, disse à TVI Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

O secretário regional da Região Centro do mesmo sindicato, José Carlos Almeida, reforça a situação: “Se olharmos para o Serviço Nacional de Saúde como um todo, isto é um panorama que se repete em ‘n’ hospitais e nos centros de saúde”, disse à agência Lusa, referindo que “cada vez há mais portugueses sem médico de família, já ultrapassa um milhão de portugueses”.

Segundo o médico, o panorama de Leiria é o mesmo de outras unidades hospitalares, como Setúbal, Amadora-Sintra, Almada, Guarda ou Castelo Branco, notando que, “neste momento, mais de um terço das vagas que são colocadas a concurso não são preenchidas ou porque os novos especialistas preferem ser contratados pelas instituições privadas de saúde ou porque preferem emigrar, ir para outros países da União Europeia, onde irão ganhar muitíssimo mais”.

Para José Carlos Almeida, “o que é desejável é que o salário base dos médicos aumente, que haja mais médicos no Serviço Nacional de Saúde e que não haja esta necessidade de fazer tantas horas extraordinárias”.

Já a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, referiu à TVI24 que “o que aconteceu durante a pandemia foi que as pessoas, assustadas, deixaram de ir aos serviços de urgência.” Agora que voltaram, regressaram os problemas antigos: “Há vários anos que denunciamos essas situações de falta de enfermeiros, infelizmente não é novidade”, disse.

“Os ordenados são baixos e não há perspetiva de carreira, de evolução quando se tem mais anos de experiência ou se tem uma especialização”, explicou. “Lá fora existe esse reconhecimento da especialização e existe a perspetiva uma evolução salarial.”

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