Seca na Europa pode ser a pior dos últimos 500 anos, alerta especialista

A seca que atinge grande parte da União Europeia deve ser a pior desde o século XVI, alertou esta terça-feira um cientista sénior do Observatório Europeu da Seca, organismo da Comissão Europeia.

“No momento… este parece ser o pior” ano dos últimos 500 anos embora uma análise completa precise acontecer retrospetivamente, explicou Andrea Toreti. “Não analisámos completamente o evento mas com base na minha experiência, acho que isso talvez seja ainda mais extremo do que em 2018”, frisou, em resposta aos britânicos da ‘Sky News’.

“2018 foi tão extremo que, olhando para esta lista dos últimos 500 anos, não houve outros eventos semelhantes”, explicou Toreti, autor de um estudo sobre secas históricas. Naquele ano, o clima particularmente seco e quente deixou o centro e o norte da Europa com rendimentos das principais culturas até 50% mais baixos, mas as condições húmidas “favoráveis” no sul da Europa viram as colheitas dispararem.

Este ano, “pelo contrário, a maior parte da Europa” está exposta a ondas de calor e clima seco, frisou, já que as secas afetam a produção de alimentos e energia, água potável e vida selvagem. “Este ano é realmente excecional”, acrescentou o especialista.

Os últimos dados do Observatório Europeu da Seca (EDO) mostraram que cerca de 45% do território do bloco europeu está sob condições de “alerta”, a segunda de três categorias de seca. Mais preocupante são os 15% de terra que se moveram para o estado de “alerta” mais severo, o que significa que não só o solo está seco após chuvas baixas mas as plantas e as plantações também estão a sofrer. O EDO combina medições feitas no terreno, dados de satélite e imagens e modelagem computacional complexa.

Itália é uma das mais afetadas pela atual seca em curso, tendo já declarado o estado de emergência para as áreas ao redor do rio Pó, que responde por mais de um terço da produção agrícola do país.

França montou uma equipa de crise para lidar com a sua pior seca já registada, que deixou diversas vilas sem água potável e agricultores a fazer alertas sobre a escassez de leite no inverno.

Grandes áreas da Roménia, Hungria e Ucrânia também estão a definhar e as condições de ‘barril de pólvora’ estão a alimentar incêndios florestais em Espanha e em Portugal.

“Estimamos um agravamento da situação na maior parte da Europa”, disse Toreti.

O colapso do clima está a tornar a seca no Mediterrâneo mais severa e mais provável, embora não seja responsável por todas as secas em todo o mundo. As causas da seca são complexas mas as mudanças climáticas afetam de duas maneiras principais: concentra a chuva em rajadas mais curtas e intensas, dificultando a retenção, e traz temperaturas mais quentes que evaporam mais água.

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