Santos Silva: “Portugal foi o último país a resistir” à entrada da Guiné Equatorial na CPLP

Por que razão está a Guiné Equatorial na CPLP e continua sem eliminar a pena de morte?

Isso tem de perguntar às pessoas que estavam neste lugar quando a Guiné Equatorial foi admitida, não encontrará a minha assinatura nesse documento.

 

Então, não concorda com essa presença?

Não disse que não concordo. Devo dizer, aliás, disse publicamente na altura quando tinha um espaço de comentário político, que compreendia a situação portuguesa, porque tanto quanto eu sei, Portugal foi o último país a resistir a essa decisão. Sendo estas decisões da CPLP tomadas por consenso, seria muito difícil que Portugal fosse o único obstáculo a uma decisão, qualquer que ela fosse. Não sou sectário, acho eu, e portanto não tendo estado nessa decisão, compreendo a posição final do Governo português. Agora também é preciso ter em atenção que a Guiné Equatorial – até porque devemos conhecer a história toda para percebermos as coisas -, sendo à data da sua independência uma das duas colónias espanholas em África (a outra era o Saara Ocidental), só era possessão espanhola há dois ou três séculos, no âmbito daquelas negociações entre Portugal e Espanha, em que Portugal transferiu a ilha que todos conhecemos dos livros de História com o nome de Fernão Pó [atual Bioko]. Portanto, a Guiné Equatorial, não quero dizer que tem raízes portuguesas porque essas afirmações poderiam ser interpretadas como neocoloniais, mas não é um país completamente estranho à influência histórica portuguesa em África.

 

E no que diz respeito à pena de morte? O país prometeu mas ainda não acabou…

É verdade. Embora nos estejam sempre a dizer “que está quase”.

 

Isso não chega, é curto…

Pediu-me para ser preciso nas respostas, vou dar-lhe a resposta do modo mais preciso: o caso português é muito simples, nós temos uma representação diplomática na Guiné Equatorial ao nível de encarregado de negócios e dizemos publicamente que teremos embaixador neste país, como temos em todos os outros da CPLP, no dia em que esse compromisso seja cumprido. A Guiné Equatorial assumiu dois compromissos, o outro é generalizar o uso da língua portuguesa, pois se é membro da CPLP isso pressupõe que a língua portuguesa é de uso generalizado. Não quer dizer que seja a única língua, ainda hoje a maioria dos moçambicanos tem uma língua materna que não é a portuguesa, embora seja crescente o número de moçambicanos que tem o português como língua materna. A Guiné Equatorial tem três línguas oficiais, como acontece na Suíça, no Luxemburgo e por aí fora. Este compromisso para ser cumprido leva tempo, agora eliminar a pena de morte faz-se, do ponto vista técnico, de maneira muito simples. Aliás, Portugal e a própria CPLP já em mais do que uma ocasião ofereceram ajuda técnica caso a Guiné Equatorial julgasse necessário.

O caso português é muito simples, nós temos uma representação diplomática na Guiné Equatorial ao nível de encarregado de negócios e dizemos publicamente que teremos embaixador neste país, como temos em todos os outros da CPLP, no dia em que esse compromisso seja cumprido.

Ler Mais




Comentários
Loading...