Santos Silva: “Federação Russa optou por comportamento agressivo, hostil e provocatório face à União Europeia”

Josep Borrell, responsável pelos assuntos da diplomacia da União Europeia, teve há pouco tempo uma visita a Moscovo que, de forma eufemística, pode dizer-se ter sido muito infeliz. É impressão nossa ou a Rússia, e talvez muitos outros países, não reconhecem a União Europeia como interlocutor?

Isso não se passa apenas com a Rússia. A política externa comum da União Europeia é uma das mais recentes. A instituição do cargo permanente de Alto Representante para a política externa e de segurança vem do Tratado de Lisboa e muitas vezes há uma certa dificuldade em compreender que, além da França, da Alemanha, da Itália, de Espanha, de Portugal, individualmente, há a União Europeia e esta tem uma política externa própria. Acontece que, neste caso específico, a Federação Russa optou por ter um comportamento agressivo, hostil e provocatório face à União Europeia que imediatamente condenámos e que, aliás, teve consequências do ponto de vista do nível e da qualidade do relacionamento entre a União Europeia e a Rússia.

A instituição do cargo permanente de Alto Representante para a política externa e de segurança vem do Tratado de Lisboa e muitas vezes há uma certa dificuldade em compreender que, além da França, da Alemanha, da Itália, de Espanha, de Portugal, individualmente, há a União Europeia e esta tem uma política externa própria.

 

Como é que Portugal e a União Europeia olham para aquilo que tem sido a evolução da situação com Alexei Navalny do lado das autoridades russas? Embora tenham sido feitos pedidos sucessivos para a sua libertação e tratamento, a Rússia escolheu ignorar esses pedidos. Há forma de convencer Putin a agir de outra maneira e não só com Navalny?

Não sei se há forma de convencer. Desde 2014 que vivemos uma circunstância muito difícil no que toca ao nosso relacionamento com a Rússia. Na nossa opinião por responsabilidade russa, designadamente por via da sua decisão de anexar ilegalmente a Crimeia e também de, pelo menos, patrocinar algumas das ameaças que hoje se colocam à integridade e soberania da Ucrânia. Agora, que há formas de fazer ver à Federação Russa que há um preço a pagar no relacionamento com a União Europeia por atos que tem desenvolvido, isso há e, no caso de Navalny, é claro para nós: não podemos deixar de condenar a limitação aos direitos civis de pessoas, a diminuição, para não dizer supressão, dos direitos de oposição; a limitação do espaço de possibilidades de as pessoas se manifestarem pacificamente e de assim fazerem o seu protesto. E temo-lo feito através das medidas que em diplomacia existem, desde crítica e condenação pública até à decisão de sanções.

Não podemos deixar de condenar a limitação aos direitos civis de pessoas, a diminuição, para não dizer supressão, dos direitos de oposição; a limitação do espaço de possibilidades de as pessoas se manifestarem pacificamente e de assim fazerem o seu protesto.

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